A comunidade global tem dado pouca atenção à crise humanitária mais severa do mundo, que se desenrola no Sudão há três anos. Facções rivais das forças militares do país estão em conflito, resultando em cerca de 150.000 mortes e forçando aproximadamente 12 milhões de sudaneses a fugir. Mais de 33 milhões de pessoas dentro do país dependem de ajuda externa.

Representantes da União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e União Africana se reuniram em Berlim para a conferência focada na situação do povo sudanês. O principal objetivo é garantir fundos adicionais para apoiar a população e evitar que o conflito seja ofuscado por outras crises globais.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, destacou a urgência da situação, afirmando que quase metade da população sudanesa enfrenta fome. Ele também mencionou o apoio da Alemanha aos esforços para um cessar-fogo, envolvendo EUA, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.
Foco em promessas financeiras para o Sudão
Apesar da esperança por um cessar-fogo entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), a presença de representantes das partes em conflito na conferência era inexistente, indicando baixas chances de um acordo. Conferências anteriores em Londres e Paris não apresentaram resultados significativos, o que levou o foco para as promessas financeiras em Berlim.
O diplomata Mahmoud Ali Youssouf, presidente da União Africana, ressaltou a importância de atrair a atenção global para o sofrimento do povo sudanês, especialmente em meio a outras crises internacionais.
Doações de países doadores estão em declínio
Em 2024, as doações globais para o Sudão totalizaram US$ 2,07 bilhões, valor que caiu para US$ 1,77 bilhão em 2025, cobrindo apenas cerca de 40% das necessidades estimadas. Cortes significativos de ajuda por parte dos Estados Unidos e o foco crescente em conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio contribuíram para essa redução.
Na conferência de Londres do ano anterior, foram assegurados cerca de €1 bilhão em promessas de ajuda. Espera-se um montante semelhante em Berlim.
Alemanha aumenta apoio em €20 milhões
A ministra alemã para o Desenvolvimento, Reem Alabali Radovan, planeja aumentar o auxílio alemão em €20 milhões, com foco especial em mulheres, que têm assumido um papel crucial no sustento de suas famílias durante a guerra. O financiamento total da Alemanha para o Sudão agora soma €232 milhões.
A situação no Sudão é crítica, com especialistas temendo a expansão do conflito para países vizinhos como o Chade. O uso de estupro como arma de guerra tem sido relatado em escala industrial.
A Secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, anunciou que o país fornecerá cerca de €168 milhões em financiamento para o Sudão em 2026.
Drones do exterior exacerbam o conflito
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou que o conflito no Sudão é intensificado por remessas de armas em larga escala de diversos países. Ele destacou a chegada de sistemas de armas modernos, incluindo drones, que resultaram em 700 mortes civis documentadas desde o início do ano.
A baixa visibilidade do conflito na Europa, em parte devido ao número reduzido de refugiados sudaneses, contribui para a falta de conscientização pública, apesar dos apelos em conferências como a de Berlim. Segundo a agência da ONU para refugiados, apenas cerca de 14.000 refugiados do Sudão foram registrados na Europa em 2025.
Fonte: Dw