A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, expressou preocupação com o impacto das interrupções no fornecimento de Petróleo e gás no Oriente Médio, alertando para repercussões generalizadas nas economias globais. Georgieva solicitou que os países adotem medidas imediatas para reduzir a demanda energética, enfatizando a urgência de tais ações para evitar um cenário de tempos difíceis, caso o conflito se prolongue e os preços permaneçam elevados.
Em resposta à crise energética iminente, a Comissão Europeia está finalizando um pacote de medidas que inclui a obrigatoriedade de um dia de teletrabalho semanal, o fechamento de edifícios públicos sempre que possível e a redução dos Preços do transporte público.
O cenário global tem sido marcado por uma sucessão de perturbações desde o início da pandemia de COVID-19, seguida pela guerra na Ucrânia, que gerou uma crise energética e inflacionária. A recente guerra no Oriente Médio ameaça agravar ainda mais a economia global, elevando o endividamento a níveis sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, com destaque para Estados Unidos e China, conforme alerta um relatório do FMI.
O conflito atual representa um desafio significativo, com os Estados Unidos buscando o fim da guerra, mas exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela considerável do petróleo e gás natural liquefeito mundial.
Os preços do petróleo e de outras matérias-primas dispararam, impulsionando os custos de combustíveis e começando a afetar produtos alimentícios. A tensão no Golfo Pérsico alimenta uma espiral inflacionária, cujas consequências serão sentidas com mais intensidade em abril, segundo o FMI.
Georgieva destacou a adaptação da Europa a um novo modelo energético com mais renováveis após a crise na Ucrânia, mas ressaltou que a transição para novas fontes e rotas de suprimento levará tempo. Ela aconselhou a implementação de políticas adequadas para reduzir o desequilíbrio energético durante esse período.
Dívida Global Atinge Níveis Históricos
Economistas do FMI expressam preocupação com as consequências de longo prazo da atual conjuntura, alertando que a dívida pública bruta mundial pode atingir 100% do PIB até 2029, um patamar não visto desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A situação é agravada pelo aumento dos gastos com envelhecimento populacional, transição energética, tecnologia e defesa, além de medidas de alívio para enfrentar a escalada de preços.
Rodrigo Valdés, diretor do departamento de Assuntos Fiscais do FMI, observa que, mesmo em países com melhora na dinâmica da dívida, os níveis permanecem elevados. Taxas de juros mais altas e a sensibilidade dos mercados a notícias fiscais reduzem a margem para consolidação fiscal.
O FMI alerta que a ausência de um plano de consolidação da dívida nos Estados Unidos, que registra um déficit governamental significativo, e a expansão fiscal da China para sustentar a demanda interna, que também amplia seu déficit, são fatores preocupantes. Ambos os países projetam um aumento expressivo em suas dívidas brutas.
Na Europa, alguns países da UE ativaram cláusulas de escape nas normas de déficit para acomodar o aumento dos gastos com defesa. Entre as nações mais pobres, o pagamento de juros atingiu máximos históricos em relação à receita, e a redução da ajuda externa gera lacunas de financiamento.
O FMI recomenda que as medidas de apoio aos preços sejam temporárias, cirúrgicas e bem desenhadas para evitar o aumento estrutural do gasto público. A instabilidade interna e o mal-estar social em diferentes estratos de renda também agravam as pressões fiscais, associados a menor crescimento e maiores déficits primários.
Fonte: Elpais