A Oncoclínicas (ONCO3) comunicou nesta terça-feira (14) que a Fleury (FLRY3) e a Porto Seguro (PSSA3) encerraram as negociações para uma possível capitalização de suas operações. Com o fim do período de 30 dias de conversas exclusivas, a rede de tratamentos oncológicos informou que seguirá avaliando alternativas para reestruturar sua situação financeira.

Analistas do JPMorgan consideraram o desfecho negativo como esperado. O banco destacou que o cenário de risco em torno da companhia se intensificou recentemente com a dissolução do conselho de administração e a pendência de eleição de novos membros. A desistência retira do horizonte uma solução de capitalização que era vista como um impulso de confiança para o Investimento na Oncoclínicas.
O JPMorgan também ressaltou que a transação proposta por Porto Seguro e Fleury deixaria pouco ou nenhum valor residual para os acionistas da Oncoclínicas, com o risco de investidores se tornarem sócios de uma holding insolvente. O banco mantém a avaliação de que uma eventual capitalização deveria ocorrer no nível da ONCO3 e que pode haver uma reestruturação adicional da dívida.
O BTG Pactual também avalia que o resultado era esperado, dada a complexidade da transação e a profundidade da diligência necessária, que provavelmente evidenciou os desafios financeiros da Oncoclínicas. A combinação de alto endividamento e possíveis passivos fora do balanço torna difícil para grupos bem capitalizados avançarem com uma injeção de capital em condições aceitáveis de risco-retorno. O BTG reiterou recomendação neutra para as ações da Oncoclínicas, ressaltando o processo de reestruturação complexo com credores.
O Bradesco BBI adota uma visão mista. O banco considera que o acordo com Porto e Fleury teria melhorado a governança corporativa e o risco de crédito, mas potencialmente com uma avaliação descontada. A incerteza gerada pela divergência entre acionistas representa riscos para as operações da empresa, o que pode ser positivo para concorrentes. O BBI mantém visão cautelosa sobre as ações, com recomendação equivalente à venda e preço-alvo de R$ 2,80.
Cenário favorável para Rede D’Or
O BTG considera o desenvolvimento favorável para concorrentes estabelecidas no segmento de oncologia, em especial a Rede D’Or (RDOR3). Desde a intensificação dos desafios operacionais da Oncoclínicas, a Rede D’Or já vem capturando maior demanda, particularmente em terapias oncológicas. Com o fim das negociações com Fleury e Porto, o BTG espera que essa tendência se mantenha, com concorrentes continuando a absorver essa demanda deslocada.
A companhia realizará assembleia de acionistas em 30 de abril, quando deve haver novidades sobre a possível aprovação da proposta da MAK Capital e maior visibilidade sobre o novo conselho de administração.
Fonte: Infomoney