O presidente Luiz Inácio lula da Silva consolidou nesta terça-feira, 14, uma série de mudanças que alteraram o futuro político e frustraram alguns de seus aliados mais fiéis. Em nome da “governabilidade” e da própria estratégia eleitoral, o presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada.
Um exemplo dessa movimentação é o do deputado federal José Guimarães (PT-CE), que tomou posse como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, assumindo a articulação política com o Congresso Nacional. Guimarães pretendia concorrer ao Senado, mas teve o sonho barrado por Lula. A decisão visa permitir uma negociação mais ampla no palanque do Ceará e tentar algum diálogo com o Congresso, onde a relação do Planalto é tensa.
Guimarães ressaltou que sempre manteria sua lealdade ao presidente, mesmo com a dificuldade da militância e do grupo em aceitar a nomeação. Ele assume a cadeira no Palácio do Planalto, ficando impedido de concorrer nas Eleições deste ano. O novo ministro é conhecido por sua capacidade de dialogar com diversos segmentos políticos na Câmara e por tentar firmar acordos, muitas vezes tendo que lidar com recuos do Planalto.
Um dos desafios do novo ministro será levar adiante a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e a Regulamentação do trabalho por aplicativos, questões que têm provocado controvérsias no Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou que Guimarães é experiente, moderado e respeitado pelos líderes.
Guimarães será substituído na Câmara pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que já foi ministro da Secretaria de Comunicação do Planalto. Pimenta, com um perfil diferente de seu antecessor, não teve sucesso na Secom e deve enfrentar mais dificuldade na liderança do governo.
Mudanças no Paraná e em São Paulo
No Planalto, Guimarães assume a vaga deixada por Gleisi Hoffmann, que também teve seu objetivo político original alterado. Deputada federal pelo PT do Paraná, ela pretendia concorrer à reeleição na Câmara, mas, por determinação de Lula, deverá disputar o Senado na chapa paranaense. A missão é considerada complexa, uma vez que pesquisas apontam vantagem da direita no estado.
Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também seguiu a orientação presidencial. Após meses de discussão, ele aceitou se desincompatilizar da pasta para concorrer ao Governo de São Paulo. O cenário no Estado segue indefinido nas articulações: o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), ainda busca o apoio de Lula para compor a chapa petista como candidato ao Senado.
O impasse com Márcio França
França foi um dos poucos aliados que insistiram em um projeto próprio, embora também tenha feito concessões. Inicialmente, ele desejava disputar o Governo de São Paulo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas Lula manteve a preferência por Haddad. Diante do impasse, França decidiu deixar o ministério para ajustar sua rota política e focar na disputa pela vaga de senador.
Fonte: Estadão