A economia brasileira enfrenta um cenário desafiador, marcado por alta dívida pública e crescimento fraco. Projeções indicam que a dívida bruta pode atingir 115,4% do PIB até 2035, caso a política fiscal atual seja mantida. Paralelamente, o país lida com juros reais elevados, Inflação acima da meta e crédito caro, impactando o setor privado com um expressivo número de empresas inadimplentes.
Esse quadro explica a dificuldade do Brasil em sustentar uma trajetória de expansão econômica consistente. A saída para esse cenário complexo reside na combinação de estabilização das contas públicas com reformas pró-mercado, em vez de escolher um caminho em detrimento do outro.
O que você precisa saber
- A dívida bruta do Brasil pode chegar a 115,4% do PIB em 2035, segundo projeções oficiais.
- Empresas privadas enfrentam aperto financeiro, com 8,9 milhões de companhias inadimplentes em 2025.
- A combinação de ajuste fiscal e reformas pró-mercado é vista como essencial para o crescimento sustentável.
A relação entre ajuste fiscal e crescimento
A literatura econômica sugere que grandes acelerações de crescimento exigem transformações que preservem retornos elevados à acumulação de capital. Em economias abertas, o livre mercado de bens ajuda a mitigar retornos decrescentes, permitindo que o investimento impulsione o crescimento por mais tempo. No entanto, o Brasil enfrenta o desafio da baixa poupança doméstica, agravado pela absorção governamental de recursos para financiar a própria dívida.
O ajuste fiscal, quando focado na disciplina de despesas e não no aumento de impostos, libera poupança do setor público para o setor privado. Isso permite que uma parcela maior da poupança doméstica financie o investimento produtivo. Contudo, o ajuste fiscal por si só melhora a solvência, mas não garante um salto de crescimento expressivo.
O papel das reformas pró-mercado
Para que a poupança liberada se converta em expansão robusta, é crucial elevar o retorno marginal do capital. Isso é alcançado por meio de reformas pró-mercado e maior abertura econômica. A abertura econômica, em sentido amplo, envolve não apenas a redução de tarifas, mas também a melhoria da segurança jurídica, a simplificação do ambiente de negócios, o aumento da concorrência e a integração do país às cadeias globais.
Essas medidas aumentam o retorno do investimento privado e sua sustentabilidade. Simulações indicam que a abertura econômica, isoladamente, melhora o crescimento, mas não resolve o problema fiscal. Da mesma forma, o ajuste fiscal, sem reformas, estabiliza a dívida, mas não impulsiona a economia de forma significativa.
Resultados combinados: o cenário mais promissor
A combinação de ajuste fiscal e reformas pró-mercado gera os resultados mais expressivos. Cenários que integram disciplina de gastos com redução de tarifas e outras medidas pró-mercado mostram um aumento considerável no crescimento médio da década e uma redução substancial da dívida pública. Por exemplo, um ajuste fiscal de 3 pontos do PIB combinado com uma redução de 30% na tarifa-equivalente pode elevar o crescimento médio para 2,30% e reduzir a dívida para 68,4% do PIB.
A mensagem central é clara: responsabilidade fiscal e crescimento econômico não são agendas opostas, mas sim complementares. O país precisa de um programa que avance simultaneamente com disciplina de gastos, melhoria do ambiente de negócios e integração econômica. Essa abordagem não é uma questão ideológica, mas sim de aritmética econômica para um país altamente endividado.
Fonte: Estadão