A falta de clareza sobre o funcionamento do Cartão de Crédito Consignado tem levado muitos brasileiros a um ciclo de endividamento, conforme identificou o Banco Central (BC). A constatação integra o Relatório de Cidadania Financeira do BC, divulgado nesta segunda-feira.
O documento detalha a evolução legislativa do crédito consignado. A margem de 35% para o cartão de crédito consignado, definida em 2015, permitia um desconto em folha de até 5%, com o restante da fatura pago pelo titular. Essa divisão dificulta a compreensão do valor total devido, resultando em saldos não quitados e acúmulo de juros.
Aumento da Margem e Comprometimento de Renda
O limite para o consignado foi ampliado posteriormente, alcançando 40% para celetistas e 45% para aposentados e pensionistas, incluindo a margem para o cartão de crédito consignado. Dados de 2024 indicam que o comprometimento médio de renda com essa modalidade atingiu 35,1%, aproximando-se do limite regulamentar. Essa situação é um ponto de atenção para a sustentabilidade do endividamento individual.
Prazo das Dívidas e Reclamações
O estudo também observou um alongamento no prazo médio dos empréstimos consignados entre 2020 e 2024. Isso ocorreu especialmente para Servidores Públicos, com prazos que agora ultrapassam quase oito anos. Esse cenário, aliado ao crescente comprometimento de renda, pode impactar o bem-estar financeiro dos cidadãos.
O consignado foi o produto financeiro com o maior número de reclamações em 2024, com mais de 60 mil registros. Desses, 10,7 mil foram especificamente sobre o cartão de crédito consignado. Apesar das taxas de juros mais acessíveis em comparação a créditos sem garantia, o alto volume de queixas evidencia a necessidade de maior atenção à proteção do consumidor de serviços financeiros.
Fonte: Globo