Os juros futuros registram alta acentuada, especialmente nos vértices de curto e médio prazo da curva a termo. A pressão é alimentada pelo insucesso em acordos entre autoridades americanas e iranianas, levando o petróleo a superar US$ 100 o barril e intensificando temores inflacionários globais.
Os resultados do relatório Focus também impactam negativamente o mercado de renda fixa. As medianas para o IPCA de 2026 e 2027 foram ajustadas após o IPCA de março, que provocou revisões nas projeções de economistas.
Por volta das 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 subia para 14,14%; a do DI de janeiro de 2028 avançava para 13,645%; a do DI de janeiro de 2029 para 13,455%; e a do DI de janeiro de 2031 para 13,455%.
Impacto do conflito no Oriente Médio
O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã e o consequente bloqueio de embarcações no Estreito de Ormuz revertem o otimismo anterior. O cenário de oferta de petróleo mais pressionada afeta a inflação e as perspectivas para os juros em nível global.
Estrategistas do Rabobank apontam que a perda de 2 milhões de barris diários de petróleo iraniano representa um duro golpe para a economia mundial. A escalada americana pode pressionar o Irã e outros players globais, mas Teerã pode adotar uma postura mais agressiva.
Ajustes nas projeções de inflação
O quadro inflacionário, pressionado pela alta do petróleo, reflete-se nas estimativas do mercado. O relatório Focus do Banco Central mostrou um forte ajuste na mediana das projeções para o IPCA deste ano, de 4,36% para 4,71%, e para o ano que vem, de 3,85% para 3,91%.
O mercado já antecipava ajustes relevantes no Focus após a surpresa com o IPCA de março. Algumas casas de análise elevaram suas estimativas para a inflação para perto de 5%, ultrapassando o teto da meta do Banco Central.
Fonte: Globo