Brasil: Livro de 1995 de Senna diagnostica entraves ao desenvolvimento

Livro “Os Parceiros do Rei” de 1995, de José Júlio Senna, diagnostica entraves ao desenvolvimento do Brasil, com análise de Arminio Fraga sobre instituições e desempenho econômico.

A obra “Os Parceiros do Rei”, publicada em 1995 por José Júlio Senna, permanece atual ao identificar as falhas institucionais que dificultam o progresso do Brasil. Em celebração aos 80 anos de Senna, durante o 12º Seminário de Política Monetária do FGV IBRE, Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, ressaltou a importância do livro.

Fraga, que admira a publicação, distribuiu exemplares a amigos e destacou os paralelos traçados por Senna entre a formação do Brasil e dos Estados Unidos, ecoando temas de Celso Furtado e Vianna Moog. O autor explora as origens lusitanas, apontando uma tendência histórica brasileira à concentração de poder econômico e político no Estado, utilizada para consolidar apoio. Em contrapartida, os Estados Unidos desenvolveram uma cultura de autogoverno em suas regiões.

Desempenho econômico em contraste

Arminio Fraga observou que o crescimento anual da renda per capita brasileira foi de 3,1% entre 1944 e 1994. No entanto, esse índice caiu para 1,3% no período de 1995 a 2024. O diagnóstico de Senna sobre os problemas institucionais em 1995 é apontado como um fator explicativo para esse desempenho modesto nas últimas décadas.

Instituições inclusivas versus extrativas

Citando trabalhos de Daron Acemoglu e Simon Johnson, Fraga abordou a diferenciação entre instituições inclusivas, que impulsionam o crescimento sustentável, e instituições extrativas, ligadas à estagnação. “Os Parceiros do Rei” aborda essa distinção, contrastando instituições inclusivas – que promovem direito de propriedade, igualdade de oportunidades, participação econômica e política, e regras previsíveis – com instituições extrativas, marcadas pela concentração de poder, acesso restrito a oportunidades econômicas e insegurança jurídica, características que ainda persistem no Brasil.

Críticas à representatividade e visão de longo prazo

A obra de Senna, já em 1995, também alertava para a escassa representatividade dos partidos políticos. O ex-presidente do BC enfatizou ainda os diagnósticos de Senna sobre a falta de planejamento a longo prazo, a má alocação de recursos estatais, a influência de grupos de interesse e a negligência com a qualidade da educação e do capital humano.

Duas citações do livro encapsulam a visão de Senna: “Reformas modernizantes mostram-se perfeitamente viáveis”, contudo, “nem sempre os governantes estão dispostos a ouvir”.

Fonte: Estadão

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