Os preços de energia devem permanecer elevados no curto e médio prazos, mesmo diante de um possível cessar-fogo ou avanço em direção à paz no conflito envolvendo o Irã. A avaliação é da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. A instabilidade geopolítica atual deve ser um dos temas centrais nas discussões durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington.

Georgieva explicou que a normalização do fornecimento de energia levará tempo, em virtude de atrasos nas entregas e danos a infraestruturas essenciais. Esses fatores tendem a sustentar a escassez e a pressão sobre os preços, especialmente nas regiões mais afetadas pela interrupção da oferta.
A dirigente classificou o atual choque de oferta como significativo e de alcance global. Ela destacou que uma parcela considerável do petróleo e do gás que circularia mundialmente está indisponível há semanas. Trata-se de uma diminuição na oferta enquanto a demanda se mantém estável, resultando na elevação dos preços.
Os impactos são mais severos para países importadores de energia e economias com baixas reservas. Nações pobres e vulneráveis enfrentam dificuldades acentuadas. A escalada dos preços energéticos também desencadeia efeitos em cascata, afetando custos de fertilizantes, transportes e remessas, com potencial risco de impactar os preços dos alimentos.
Em relação aos Estados Unidos, Georgieva observou que o país é menos afetado por ser um exportador de energia. Contudo, o choque pode adiar a convergência da inflação para a meta estabelecida, possivelmente postergando o início da normalização para 2027. A alta nos preços da energia funciona como uma espécie de imposto sobre a renda, atingindo de forma desproporcional a população de baixa renda.
Sobre a causa do choque, Georgieva mencionou que os preços do petróleo chegaram a ter um aumento de quase 50% devido ao conflito. Ela avalia que parte desse efeito já foi absorvida pelo mercado. Setenta e duas instalações de energia foram danificadas, com um terço delas sofrendo avarias severas.
Para o crescimento econômico global, Georgieva indicou que o FMI projetava uma ligeira revisão para cima em 2026, caso o conflito não ocorresse. Com a guerra, ela antecipa uma revisão para baixo, cuja magnitude dependerá da duração do conflito e da velocidade com que a produção de energia retornar aos níveis anteriores.
Fonte: Infomoney