A avaliação negativa do governo Lula (PT) se manteve estável em 40% na mais nova pesquisa do Datafolha, enquanto a positiva caiu de 32% para 29% em relação ao levantamento anterior, realizado no início de março. Consideram o governo regular 29% dos entrevistados, ante 26% na rodada passada.


A margem de erro do levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 deste mês, é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha também investigou a opinião do eleitorado sobre o trabalho de Lula na Presidência, cargo que o petista ocupa pela terceira vez.
A reprovação oscilou de 49% para 51%, e a aprovação, de 47% para 45%. Mesmo considerando a margem de erro, a tendência indica uma queda para o presidente. A inversão dessa curva de popularidade começou em dezembro, após um ciclo de notícias positivas para o Planalto.
Desde então, o governo tem enfrentado diversos problemas. A crise em torno do Banco Master, embora já liquidado, repercute entre personagens da direita, mas o presidencialismo brasileiro tem por tradição concentrar problemas na figura do mandatário máximo.
Adicionalmente, a aliança firmada por Lula com o Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa da democracia, buscando se opor ao bolsonarismo, agora apresenta um custo com o envolvimento de ministros da corte no escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua rede de influências.
O maior recuo na avaliação ótima e boa do governo ocorreu em um estrato da classe média mais alta, com rendimento de 5 a 10 salários mínimos. Esse recuo pode estar relacionado a uma das principais preocupações do governo neste ano eleitoral: o endividamento das famílias.
Normalmente, o foco recai sobre as classes mais pobres, mas a questão do crédito apertado afeta diversos segmentos econômicos. Como quanto mais alta a renda, maior tende a ser a instrução e o acesso ao noticiário, a correlação entre esse perfil e a percepção negativa do governo é válida.
Fatores exógenos também influenciam, como a guerra no Irã, que, em um cessar-fogo instável, pressiona o preço dos combustíveis e ameaça trazer a inflação de volta ao centro das atenções. Isso poderia levar à manutenção de juros altos, um vilão para o orçamento familiar em tempos de crédito facilitado.
O cenário de aparente estabilidade requer cuidados para o governo, especialmente no início de uma campanha eleitoral que, segundo a mesma pesquisa do Datafolha, já se mostra acirrada.
Do ponto de vista socioeconômico, há forte equivalência entre os segmentos que avaliam bem Lula e o apoio eleitoral aferido. Avaliam o governo de forma positiva acima da média os mais velhos (36%), os menos instruídos (43%) e os nordestinos (41%), região que tem sido uma fortaleza lulista por décadas.
Por outro lado, consideram o governo ruim ou péssimo mais do que a população em geral os mais instruídos (49%), os sulistas (49%), os evangélicos (52%) e quem ganha mais de 10 salários mínimos (58%). As taxas de reprovação e aprovação seguem linhas semelhantes.
Em relação à avaliação, Lula ainda se mostra superior como presidente, nesta altura do mandato após a redemocratização, ao seu antecessor, Jair Bolsonaro. O hoje condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado tinha, em momento similar de sua gestão, 46% de reprovação (ruim/péssimo), 28% de regular e 25% de aprovação (ótimo/bom).
O levantamento do instituto está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03770/2026. Foram entrevistados 2.004 eleitores em 137 cidades.
Fonte: UOL