A missão Artemis II concluiu sua fase mais delicada com o pouso na Terra, marcando o início de um processo crítico para a saúde dos astronautas: a readaptação do corpo humano à gravidade. A exposição a um ambiente de microgravidade altera profundamente músculos, ossos, cérebro e até o DNA.
Os astronautas Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen retornaram após dez dias de missão, percorrendo mais de 406 mil quilômetros. A reentrada consolidou o sucesso técnico do voo, mas os efeitos da viagem persistem mesmo após o pouso.
Impactos na saúde
A ausência de gravidade provoca mudanças profundas no corpo humano. Músculos e ossos deixam de ser exigidos como na Terra e começam a enfraquecer rapidamente. A massa muscular, especialmente em regiões de postura, pode sofrer perdas de até 20% em poucas semanas, chegando a 30% em missões mais longas. Para mitigar isso, a rotina espacial inclui cerca de duas horas diárias de exercícios físicos.
Os ossos também são afetados. Sem a pressão constante da gravidade, a densidade óssea diminui gradualmente. Em missões de seis meses, a perda pode atingir 10%, aumentando o risco de fraturas e prolongando a recuperação, que pode levar anos.
Pesquisas indicam alterações cognitivas após o retorno à Terra, como redução na velocidade e precisão de respostas, além de mudanças na conectividade neural, especialmente em áreas ligadas ao equilíbrio e orientação.
No nível celular, os telômeros, estruturas que protegem o DNA, tendem a se alongar no espaço e a encurtar rapidamente após o retorno, um comportamento incomum em relação ao envelhecimento natural. Há também sintomas mais imediatos, como alterações na pele, maior sensibilidade, erupções cutâneas e queda nos glóbulos brancos, associada à exposição à radiação. A visão pode ser afetada por mudanças na estrutura ocular devido à redistribuição de fluidos no corpo.
A recuperação dos astronautas varia conforme o tempo passado no espaço. Em missões curtas, a maior parte dos efeitos no organismo tende a ser revertida após o retorno.
Fonte: Infomoney