A geração Alpha, nascida entre 2010 e 2025, enfrenta desafios crescentes na saúde mental devido à constante conexão digital. A semana de combate ao bullying evidenciou o aumento de episódios de intimidação e violência de gênero, impondo dificuldades a escolas e famílias.




A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, revelou que 41% das meninas e 16% dos meninos relatam sentir tristeza frequente, frequentemente associada à aparência e à comparação social.
Violência de gênero e bullying em escolas
O anuário Livres para Sonhar, da organização Serenas, indica um aumento na violência de gênero. Os casos de bullying mais comuns entre jovens de 13 a 17 anos focam na aparência (30,2% dos casos), corpo (24,7%), cor ou raça (10,6%) e vestuário (10,1%).
Setenta por cento dos professores já presenciaram alunos sexualizando colegas por causa de roupas ou comportamento, e 68% relataram comentários constrangedores sobre a aparência de alunas. Além disso, 43% dos docentes informaram sobre o compartilhamento não consentido de imagens íntimas de meninas.
Entre os meninos, 80% dos professores observaram ofensas direcionadas àqueles que não se encaixam em padrões tradicionais de masculinidade, como o uso do termo “viado” ou “bicha”.
O papel das redes sociais e da educação socioemocional
Daniel Becker, pediatra e ativista pela infância, aponta as redes sociais como um dos principais fatores que agravam o bullying e a violência de gênero. Ele ressalta que o ambiente online expõe jovens a conteúdos inadequados, muitas vezes impulsionados por algoritmos, sem que eles possuam o discernimento necessário para processá-los.
Becker defende que escolas e famílias devem ser os pilares para uma educação que forme cidadãos ativos na sociedade. Grupos em redes sociais podem criar uma sensação de desconexão com a realidade, onde comportamentos online parecem não ter repercussão na vida real.
Diante desse cenário, muitas escolas têm investido na educação socioemocional desde o ensino fundamental. Lígia Vezzaro Caravieri, psicóloga e gerente técnica do Instituto Ficar de Bem, explica que essa abordagem ensina habilidades essenciais como empatia, autocontrole, responsabilidade e respeito às diferenças, além de preparar para a resolução saudável de conflitos.
A falta dessas competências pode levar jovens a ter dificuldades em lidar com frustrações e limites. Questões estruturais como o machismo também são apontadas como fatores que atravessam classes sociais e contribuem para a violência.
Estratégias de prevenção e intervenção
A Rede Adventista integra a educação socioemocional em sua grade para prevenir o bullying, focando no desenvolvimento de empatia, respeito e controle emocional. Marizane Piergentile, diretora regional da Educação Adventista no Vale do Paraíba, menciona um protocolo antibullying que estabelece ações preventivas, educativas e interventivas, com regras claras contra xingamentos e apelidos pejorativos.
O colégio Arbos, no ABC Paulista, também adota aulas direcionadas por psicólogas para discutir o cotidiano dos alunos. Luana Maieski, mãe de uma aluna, relata que essas aulas auxiliam a filha a lidar com temas como saudade, ausência e morte, além de abordar comportamentos inadequados sem focar em aparências.
A escola utiliza recursos lúdicos, como uma revista em quadrinhos, para discutir convivência e o impacto de atitudes como exclusão e comentários sobre aparência. Rosana Ferreira, coordenadora pedagógica do colégio, enfatiza que o combate ao bullying deve ser constante e integrado ao cotidiano escolar, não se limitando a datas específicas.
Fonte: UOL