Oncoclínicas registra R$ 3,67 bilhões em prejuízo e busca manter operações

Oncoclínicas registra prejuízo bilionário em 2025 e enfrenta dificuldades operacionais, com atrasos em tratamentos e busca por soluções financeiras.

A Oncoclínicas encerrou o ano de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 3,67 bilhões, um aumento significativo em comparação com as perdas de R$ 717 milhões registradas em 2024. O caixa da empresa está comprometido, com capital circulante negativo em R$ 2,31 bilhões, o que tem levado a atrasos e adiamentos em tratamentos de câncer por falta de medicamentos.

Em relatório, a diretoria da Oncoclínicas admitiu um cenário de “incertezas significativas da continuidade operacional”, citando perdas de R$ 430,8 milhões em investimentos no Banco Master e inadimplência da Unimed Ferj, no valor de R$ 861 milhões. A consultoria Deloitte apontou que o resultado pode levar ao vencimento antecipado de contratos de empréstimos e financiamentos pelos credores.

O CEO da Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, declarou que a “prioridade absoluta” é manter o atendimento aos pacientes, apesar da “pressão de liquidez”. A empresa tem focado na captação de recursos e reorganização financeira. Projetos de cancer centers foram cancelados em São Paulo e Belo Horizonte, e a venda de ativos, como o Uberlândia Medical Center e o Hospital Vila da Serra, está em negociação.

Dificuldades financeiras e endividamento

Os resultados de 2025 indicam que a Oncoclínicas não cumpriu as condições contratuais com credores quanto ao endividamento. A alavancagem ficou em 4,3 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), acima do limite de 3,5 vezes estabelecido em contrato. Analistas do BTG Pactual alertam para a necessidade de negociação com detentores de dívida para evitar estresse financeiro, mas a visibilidade sobre as soluções é limitada.

Busca por aporte ou empréstimo

Analistas descrevem a situação como uma “deterioração operacional”, onde o mercado precifica a sobrevivência da empresa. A Oncoclínicas avalia buscar proteção judicial contra credores. Uma proposta em discussão prevê um aporte de R$ 500 milhões do grupo Porto Seguro, com a criação de uma nova empresa para a qual migrariam clínicas e parte da dívida. Debêntures conversíveis em ações também são uma possibilidade, com a participação do grupo Fleury nas discussões.

Outra alternativa é um empréstimo de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões, somado a um aporte de R$ 500 milhões do fundo Mak Capital. Este último, contudo, está condicionado à destituição de membros do Conselho de Administração em assembleia geral extraordinária.

Relatos de tratamentos adiados

Com os problemas de caixa, pacientes relatam adiamentos em tratamentos de câncer devido à “indisponibilidade temporária de estoque de alguns medicamentos”. Casos de imunoterapia e tratamentos para câncer de intestino e ovário foram citados como exemplos de procedimentos reagendados por falta de insumos. A Oncoclínicas informou que há instabilidade no abastecimento de certos medicamentos e que medidas estão sendo tomadas para normalizar o cenário.

Fonte: Infomoney

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