Ex-presidente do BRB é investigado por receber imóveis como propina em transação do Banco Master

Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é investigado por receber seis imóveis como propina para aprovar compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. Entenda o caso.

O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, é alvo de investigação por supostamente ter recebido seis imóveis de alto padrão como vantagem indevida. A transação teria viabilizado a aquisição de carteiras consideradas fraudulentas no caso do Banco Master. Segundo o Ministério Público, Costa foi uma peça essencial para a viabilização da compra dessas carteiras. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a prisão de Costa e do advogado Daniel Monteiro. Os imóveis, localizados em São Paulo e no Distrito Federal, são avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos. A decisão judicial aponta que, na condição de presidente do BRB, Costa recebeu a vantagem em troca da aprovação da aquisição das carteiras fraudulentas. Diálogos extraídos de aparelhos telefônicos dos investigados indicam que havia conhecimento de inconsistências relevantes nas carteiras desde o início das operações. Ainda assim, as aquisições teriam sido conduzidas de forma acelerada, com flexibilização de procedimentos e pressão por liquidação rápida, desconsiderando controles prudenciais. Mesmo após a constatação, em junho de 2025, de que o BRB havia adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição teria persistido na parceria e continuado a comprar novos ativos. A Polícia Federal aponta que Costa iria receber um valor estimado de R$ 146,5 milhões em imóveis. A defesa de Costa alega que seu cliente não praticou crime algum e que a prisão foi um exagero. Daniel Monteiro, advogado também preso na operação, teria recebido R$ 86 milhões para participar do esquema. Ele é apontado como agente-chave na vertente jurídica, atuando na formalização das operações e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias, utilizando uma estrutura de empresas de fachada e fundos de investimento. Para esconder o beneficiário dos imóveis, Monteiro teria indicado seu cunhado como diretor das empresas adquirentes. Ele também atuou para dar aparência de legalidade a operações envolvendo carteiras de crédito fictícias vendidas pelo Master ao BRB, elaborando e ajustando contratos e documentos que o Banco Central identificou como inconsistentes. Após tomar ciência de uma investigação sigilosa, houve uma ordem para “travar tudo” nas operações. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Monteiro. Os bens eram tratados como um “cronograma pessoal” de Costa, que visitava e validava os imóveis, acompanhando de perto as aquisições. A preocupação com a ausência de formalização do arranjo reforça a ciência do caráter dissimulado da operação. A prisão de Costa e Monteiro se justifica pelo risco concreto de ocultação e destruição de provas, além do risco de evasão do país devido à alta capacidade financeira dos envolvidos. Investigações posteriores confirmaram suspeitas de que o ex-presidente do BRB falsificou documentos a posteriori para sustentar as decisões de compra de carteiras do Master, negociadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Evidências robustas indicam a participação central de Vorcaro na produção massificada de documentos artificiais para conferir aparência de rigidez a ativos sem lastro. Registros internos do Banco Master descrevem uma linha de produção voltada à criação e circulação dessas carteiras fraudulentas. Provas encontradas pelos investigadores incluem ajustes manuais de extratos, documentos antedatados e uso de procurações atípicas. Desde seu afastamento do BRB, Costa reuniu documentos na tentativa de provar que não sabia que as carteiras eram falsas e que o próprio BRB alertou o Banco Central sobre problemas na documentação dos ativos, o que teria levado à devolução delas ao Master. No entanto, a PF sustenta que os diálogos indicam conhecimento das inconsistências desde o início, com aquisições aceleradas e flexibilização de controles prudenciais.

Fonte: UOL

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade