O governo alemão, liderado por Friedrich Merz, explora novas estratégias para motivar a população a trabalhar mais horas, diante de um cenário econômico desafiador marcado por recessão e crise energética. O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, propôs reformas fiscais com o objetivo de eliminar o que considera “incentivos errôneos” que desencorajam o trabalho adicional, como a declaração conjunta de imposto de renda para casais.
A discussão surge em um contexto onde a Alemanha registra uma das menores jornadas de trabalho anuais por empregado entre os países desenvolvidos, segundo a OCDE. A escassez de mão de obra, agravada pelo envelhecimento demográfico, intensifica a urgência de medidas. Projeções indicam que em 2050 haverá apenas 1,3 trabalhadores ativos para cada aposentado, um contraste acentuado em relação aos seis para um da década de 1960. Em 2025, o número de trabalhadores em regime de tempo parcial atingiu um recorde histórico.
Desafios do trabalho em tempo parcial
Pesquisas apontam que cerca de um quarto dos trabalhadores em tempo parcial citam motivos familiares, como o cuidado de filhos ou parentes, como razão principal para a redução da jornada. Uma pesquisa com mães revelou que 45% gostariam de trabalhar mais se houvesse modelos de horário flexível.
Jan Dannenbring, da Federação Central de Artesãos da Alemanha (ZDH), sugere que a solução mais eficaz seria abordar as causas subjacentes do trabalho em tempo parcial, como a insuficiência de creches e serviços de apoio familiar, em vez de focar apenas em reformas fiscais. Ele também adverte contra a demonização dos trabalhadores em tempo parcial, ressaltando que essa modalidade pode ser benéfica em certos setores e para as empresas.
Minijobs e a “armadilha” do tempo parcial
A Alemanha também oferece os chamados “minijobs”, com remuneração máxima de 603 euros mensais, que permitem flexibilidade e isenção de impostos sobre seguro de saúde e desemprego, embora sujeitos a contribuição para aposentadoria. No entanto, a transição de um minijob para um emprego com segurança social pode, em alguns casos, resultar em perda de renda para o lar, configurando a “armadilha do trabalho a tempo parcial”, segundo Maximilian Blömer, do instituto econômico Ifo.
Blömer destaca a interação entre a tributação conjunta de cônjuges, os minijobs e o seguro de saúde gratuito como fatores que podem desincentivar o trabalho adicional. A proposta de abolir a tributação conjunta e adotar a tributação individual poderia impactar a distribuição de renda, potencialmente beneficiando lares com rendimentos similares e incentivando o trabalho.
Propostas de reforma
O governo considera a fusão de auxílios sociais para torná-los mais eficientes e específicos, ajustando a redução de benefícios conforme o aumento da renda. A eliminação da tributação conjunta de cônjuges visa, em particular, fomentar a atividade laboral feminina. A discussão sobre essas reformas reflete a busca por um equilíbrio entre a prosperidade econômica e o bem-estar social na Alemanha.
Fonte: Elpais