O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Sérgio de Oliveira e Costa, decidirá na próxima semana sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada com os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco“, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo“. Ambos são foragidos da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do PCC no setor de postos de combustíveis.






Fontes indicam que Beto Louco e Primo possuem informações consideradas de alto risco sobre corrupção em órgãos públicos, abrangendo governos estaduais e municipais, além do Congresso e do Judiciário. A negociação do acordo de colaboração tem enfrentado obstáculos, com promotores exigindo dados concretos e demonstrando incômodo com vazamentos.
A eleição para a procuradoria-geral do Ministério Público também impactou o cronograma das negociações. A expectativa é que a decisão final ocorra após a eleição e a possível recondução do atual procurador-geral, com apoio do governador Tarcísio de Freitas e de Gilberto Kassab.
Os empresários, que negam integrar a facção criminosa, estariam dispostos a apresentar provas de corrupção envolvendo parlamentares, autoridades do Executivo e juízes. Inicialmente, eles buscaram a Procuradoria-Geral da República, mas a negociação não avançou.
Em janeiro, o Ministério Público paulista recebeu a proposta, que inclui a troca de documentos e mensagens por aplicativo em troca da suspensão de ordens de prisão. Os empresários também se propõem a pagar multas significativas ao Tesouro por sonegação de tributos no setor de combustíveis, com valores estimados em centenas de milhões de reais.
Um dos anexos da proposta detalha um esquema de corrupção estruturada na Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo, que, segundo os empresários, perdura há pelo menos quarenta anos. Este esquema estaria ligado à Operação Ícaro, que investigou o “fura-fila” do ICMS.
Beto Louco e Primo responderam a questionários extensos, mas algumas respostas evasivas levantaram dúvidas sobre a veracidade de seus relatos. O procurador-geral já afirmou anteriormente que o Ministério Público investigará todos os envolvidos, independentemente de cargo ou posição.
Fonte: Moneytimes