Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Mourad, o “Primo”, foram localizados na Líbia. Os dois são alvos da Operação Carbono Oculto e negociam uma colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo. A fuga para o país do norte da África ocorreu após a dupla entrar na mira da Polícia Federal e do Ministério Público.
Segundo informações, a dupla apresentou uma proposta de delação em que denunciam magistrados. Uma tentativa anterior de acordo, que citava políticos, foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no ano passado.
Esquema e movimentação financeira
Primo e Beto Louco são apontados como figuras centrais em um esquema que teria permitido ao Primeiro Comando da Capital (PCC) se infiltrar no setor de combustíveis. Cerca de mil postos ligados à facção teriam movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, de acordo com as investigações.
Beto Louco era supostamente responsável pela gestão de empresas usadas para fraudes fiscais e ocultação de recursos. A defesa de Beto Louco nega qualquer ligação com o PCC, e a defesa de Mourad também refuta qualquer relação com o crime organizado.
Investigações sobre articulação política
Investigadores apuram se Beto Louco atuava como articulador político do grupo. Registros indicam que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, esteve no mesmo local e horário que o empresário no Aeroporto de Brasília. Rueda nega ter viajado no mesmo avião que Beto Louco, mas a PF investiga a relação entre ambos.
Mensagens de WhatsApp trocadas entre Rueda e Beto Louco entre outubro de 2023 e maio de 2024 foram apresentadas à PGR pela defesa do empresário durante negociações para um acordo de colaboração premiada, que ainda não foi concretizado.
Um piloto relatou à PF ter transportado Beto Louco e Mourad diversas vezes em aviões. Segundo o piloto, Rueda seria o dono de fato da empresa de táxi aéreo, o que o dirigente partidário nega.


Fonte: Infomoney