O Citi avalia que a renovação na alta gestão da Hapvida (HAPV3) é um movimento positivo que fortalece a credibilidade da empresa. No entanto, a restauração plena da confiança dos investidores dependerá de tempo e execução consistente das novas estratégias.






Analistas do Citi destacam que os principais indicadores a serem observados no curto prazo incluem a estabilização das margens, a geração sustentável de caixa e a implementação de iniciativas para otimizar ativos.
Recentemente, a operadora de saúde anunciou a indicação de Lucas Garrido para a vice-presidência de finanças (CFO). Anteriormente, a empresa já havia comunicado a saída de Jorge Pinheiro do comando após 27 anos, com Luccas Adib assumindo a posição de CEO.
As mudanças foram bem recebidas pelo mercado, com as ações da Hapvida (HAPV3) apresentando alta significativa. Na semana, os papéis lideraram a valorização do Ibovespa.
O Citi mantém uma recomendação neutra com alto risco para HAPV3.
Dança das cadeiras na Hapvida: Pontos positivos
O Citi identificou cinco pontos positivos nas recentes alterações no alto escalão da Hapvida:
1. Sucessão planejada e organizada: A transição de Jorge Pinheiro para o conselho e de Luccas Adib para CEO foi sinalizada previamente, alinhada ao objetivo da empresa de reduzir riscos de execução e garantir a continuidade da governança.
2. Conhecimento operacional interno: A escolha de Luccas Adib, com profundo conhecimento operacional e experiência nas áreas financeira e de tecnologia, é vista como um fator que auxiliará na execução da recuperação da empresa.
3. Mentalidade de mercado de capitais: A nomeação de Lucas Garrido como CFO reforça o foco da companhia em rigor analítico e disciplina na alocação de capital, pontos cruciais para os investidores.
4. Estrutura organizacional alinhada: A nomeação de Felipe Nobre para uma função dedicada de Estratégia, M&A e Relações com Investidores visa melhorar a responsabilização na revisão do portfólio e a comunicação com o mercado.
5. Mensagem alinhada às prioridades: A gestão enfatiza a recuperação de margens, desalavancagem, simplificação do negócio e racionalização de ativos, considerada a abordagem correta para o cenário atual.
Os 3 pontos negativos, segundo o Citi
A análise do Citi também aponta três pontos negativos e riscos associados às mudanças na Hapvida:
1. Risco de execução elevado: Mudanças na gestão, por si só, não solucionam problemas estruturais como altos índices de sinistralidade, desempenho fraco em São Paulo e desafios de integração pós-fusão.
2. Influência do fundador: A presença contínua da família no conselho pode limitar a percepção de independência da governança para alguns investidores.
3. Escrutínio de acionistas minoritários: A renovação dos cargos ocorreu sob pressão de acionistas relevantes, indicando baixa tolerância a atrasos e necessidade de resultados rápidos.
A pressão de acionistas, como a Squadra Investimentos, por mudanças na composição do conselho e na gestão reforça a necessidade de resultados concretos por parte da nova liderança.
Fonte: Moneytimes