Apesar de um fechamento de março no vermelho, com queda de 6,77%, as ações da Vale (VALE3) ainda acumulam alta de 14,6% no ano. Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, a recente desvalorização se assemelha a uma realização de lucros, com o preço do minério de ferro mantendo-se resiliente.
Hungria destaca que a companhia possui um ativo subestimado pelo mercado, a Vale Base Metals (VBM), focada em metais essenciais para a transição energética, como níquel e cobre. Ele argumenta que este segmento, conhecido como a ‘joia da coroa’ da Vale, tem potencial para impulsionar o valor das ações.
Potencial de crescimento da Vale Base Metals
A Vale anunciou planos para quase dobrar sua capacidade de produção de cobre, de 380 mil toneladas anuais para cerca de 700 mil até 2035. Se bem-sucedida, a mineradora se consolidaria entre as maiores produtoras globais de cobre, diversificando seu portfólio em um setor crucial para a transição energética.
Atualmente, a Vale como um todo negocia a 4,5x EV/Ebitda, indicando que o mercado precifica majoritariamente a vertente de minério de ferro. Hungria estima que a VBM, por si só, poderia alcançar um valuation entre 8 a 9x EV/Ebitda.
Valuation atrativo e comparação com concorrentes
Com base nessa análise, Hungria projeta que a Vale poderia ser negociada entre 5 e 6x EV/Ebitda. Ele observa que a VBM tem potencial para destravar valor nos próximos anos, beneficiando os acionistas da VALE3. Comparada a concorrentes australianas, que negociam entre 6 e 7x EV/Ebitda, a Vale apresenta um valuation descontado e um desempenho operacional superior nos últimos trimestres.
As ações da Vale (VALE3) foram incluídas na carteira de Top Picks da Empiricus Research para abril, com recomendação de compra e peso de 10% no portfólio. A seleção considera não apenas o potencial de valorização, mas também o contexto macroeconômico e os aspectos setoriais de cada empresa.
Fonte: Moneytimes