O Bitcoin (BTC) registrou uma queda de 42% desde outubro, com o índice de Medo & Ganância do mercado atingindo níveis baixos. No entanto, as maiores carteiras de criptomoedas, conhecidas como baleias, têm aproveitado essa desvalorização para aumentar suas posições.


A criptomoeda opera abaixo dos US$ 73 mil, distante dos US$ 126 mil alcançados em outubro de 2025. O índice de Medo & Ganância do Bitcoin permaneceu abaixo de 20 por cerca de 60 dias, indicando pânico no mercado.
Apesar do sentimento negativo, os ETFs de Bitcoin à vista registraram entradas líquidas de US$ 358 milhões na quinta-feira (9), com destaque para o IBIT da BlackRock. Março marcou o primeiro mês de fluxos positivos após quatro meses de saídas, totalizando US$ 1,32 bilhão em entradas.
Movimentação das baleias e investidores de longo prazo
Dados on-chain revelam que endereços classificados como baleias acumularam 270 mil BTC nos últimos 30 dias, o maior movimento líquido de compra em 13 anos, segundo a CryptoQuant. Investidores de longo prazo também adicionaram cerca de 30 mil BTC na última semana.
As reservas de Bitcoin em exchanges caíram para 2,21 milhões de BTC, o menor nível desde dezembro de 2017, o que tende a reduzir a pressão vendedora. Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, considera que essa redução da oferta circulante sustenta uma leitura construtiva para o médio prazo.
Michael Saylor e grandes bancos impulsionam compras
Michael Saylor, fundador da Strategy, empresa com grande volume de Bitcoin, vendeu mais de 3 milhões de ações preferenciais, levantando capital para comprar mais de 2.000 BTC, aproximadamente US$ 144 milhões. Espera-se que esse volume aumente nos próximos dias, com a Strategy potencialmente superando US$ 300 milhões em compras de Bitcoin na semana.
Grandes bancos também demonstram apetite. O Goldman Sachs divulgou posição de US$ 1,1 bilhão em ETFs de Bitcoin, e o Morgan Stanley lançou o MSBT, um ETF de Bitcoin à vista com taxa anual de 0,14%, o mais barato do mercado. O produto captou US$ 34 milhões em seu primeiro dia.
Projeções otimistas para o Bitcoin
As projeções para o fim de 2026 permanecem ambiciosas. Gautam Chhugani, analista da Bernstein, mantém um alvo de US$ 150 mil, argumentando que a menor saída de ativos em ETFs e a oferta inativa de BTC sustentam essa visão. O JPMorgan projeta entre US$ 240 mil e US$ 266 mil no longo prazo, enquanto o Goldman Sachs estima um piso entre US$ 69.000 e US$ 71.000, com projeção de US$ 200 mil em cenário favorável.
A Fidelity destaca o desempenho histórico do Bitcoin, que foi o ativo de melhor performance em 11 dos últimos 15 anos. No curto prazo, Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, aponta resistência em US$ 75.000, com um vácuo de liquidez até US$ 85.500 caso o nível seja rompido.
Cenários de cautela e suportes
Nem todos os analistas compartilham do otimismo. O Citigroup reduziu seu alvo para US$ 112 mil, citando desaceleração regulatória nos EUA. A Standard Chartered, mais cautelosa, alerta para um possível recuo a US$ 50 mil antes de uma recuperação, revisando sua projeção anual para US$ 100 mil.
Ana de Mattos identifica suportes importantes em US$ 69.150 e US$ 66.500, níveis que o BTC precisa preservar para evitar quedas mais acentuadas. Fábio Plein, diretor regional da Coinbase, mantém uma perspectiva neutra para o mercado de criptoativos no segundo trimestre de 2026, devido à instabilidade geopolítica, mas ressalta a resiliência do Bitcoin em comparação com outras classes de ativos.
Fonte: Infomoney