Tradener: Rombo de R$ 5,4 bilhões preocupa comercializadoras de energia

Rombo de R$ 5,4 bilhões da Tradener gera preocupação de efeito cascata no mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil.

O mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil manifesta apreensão diante da possibilidade de um efeito cascata decorrente da inadimplência da Tradener, uma das empresas pioneiras no setor. A companhia obteve recentemente proteção judicial contra execuções de dívidas, enquanto negocia com credores um montante de R$ 5,4 bilhões em contratos de energia.

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A decisão judicial, concedida na última quinta-feira, reflete a que é considerada a “pior crise da história” do segmento, segundo Rodrigo Ferreira, presidente da Abraceel. Ele aponta para uma forte retração no trading de energia após a falência de empresas como a Gold nos últimos anos.

“Esse caso vai provavelmente acarretar problemas para outras empresas, é um repasse do problema. A gente vê esse efeito cascata como algo muito perigoso”, afirmou Ferreira, durante o evento Latam Energy Week, no Rio de Janeiro.

Os problemas financeiros da Tradener, que atua há 28 anos no mercado e expandiu suas operações para geração e exportação de energia, geraram preocupação entre os agentes do setor elétrico, que estimam um rombo de R$ 5 bilhões no mercado.

No pedido de proteção judicial, a Tradener mencionou um saldo de créditos de R$ 5,4 bilhões na mediação em curso com seus credores, que são os compradores da energia negociada pela empresa. Não está claro se este valor representa a posição líquida da Tradener, considerando compras e vendas de energia. A empresa mantém suas obrigações regulatórias em dia, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Entre os envolvidos na mediação da Tradener estão diversos tipos de consumidores de energia, como redes de supermercados, cooperativas agrícolas, grandes empresas de alimentos e celulose, além de outras comercializadoras e geradoras de energia elétrica.

A Tradener declarou que, por envolver outras partes, “por um posicionamento jurídico, prefere não comentar nesse momento resoluções que ainda não foram definidas com o mercado”.

Desarranjo no Setor Elétrico

Agentes do setor interpretam os recentes problemas das comercializadoras como um “desarranjo” mais amplo no setor elétrico brasileiro. Dificuldades também são observadas no lado dos geradores, que enfrentam cortes de produção e maior risco hidrológico.

“As coisas vão se acumulando e as crises vão cada vez mais atingindo mais gente”, comentou Ferreira, da Abraceel.

Uma fonte, que preferiu não ser identificada, destacou que os casos de falência de comercializadoras tornam necessárias melhorias na segurança de mercado, com regras mais rigorosas para a operação de comercialização de energia.

Por outro lado, um profissional ligado a uma grande geradora avaliou que o problema da Tradener “afeta muito a credibilidade do mercado e gera instabilidade”.

“É o tipo de coisa que não pode passar em branco, porque se vira moda, é dor de cabeça”, disse.

Diversas empresas do setor elétrico estão reduzindo ou abandonando o trading de energia no Brasil devido ao aumento dos riscos, tanto de crédito quanto de volatilidade de preços. A retração nas vendas de energia por parte dos geradores também diminuiu a liquidez para muitas comercializadoras.

Executivos de empresas como Axia Energia e Engie já haviam alertado que as grandes geradoras precisam operar com maior contingência e conservadorismo, em parte devido ao cenário geopolítico, o que impacta suas estratégias de comercialização.

Fonte: Moneytimes

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