O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, avaliará na próxima semana a possibilidade de um acordo de delação premiada com os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’, e Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’. Ambos são foragidos da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do PCC no setor de postos de combustíveis.
A negociação da delação, que se arrasta há meses, busca informações sobre corrupção em órgãos públicos, governos estaduais e municipais, além do Congresso e do Judiciário. Fontes indicam que os empresários possuem dados sensíveis sobre o tema.
A complexidade do acordo envolve a exigência de dados concretos por parte dos promotores e a incomodidade com vazamentos das negociações. Investigadores buscam evitar pressões externas para acelerar o processo.
A eleição para a procuradoria-geral de Justiça também impactou o cronograma, com Paulo Sérgio focado em sua campanha pela recondução ao cargo. A expectativa é que sua reeleição seja confirmada em breve pelo governador Tarcísio de Freitas.
Apesar de negarem envolvimento com a facção, ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ afirmam possuir provas de corrupção envolvendo parlamentares e autoridades do Executivo e Judiciário. Inicialmente, buscaram a Procuradoria-Geral da República, mas a negociação não avançou.
Em janeiro, recorreram ao Ministério Público paulista, oferecendo documentos e mensagens de aplicativos em troca da suspensão de ordens de prisão. Eles também se dispõem a pagar multas vultosas por sonegação fiscal na cadeia de combustíveis, com valores estimados em centenas de milhões de reais.
A proposta inclui anexos detalhando ilícitos e os locais onde teriam ocorrido, com um deles focado na ‘corrupção estruturada’ na Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Os empresários alegam a existência de um esquema de longa data na Receita estadual, que atravessa um período de investigações após a Operação Ícaro.
A Operação Ícaro desarticulou o esquema de ‘fura-fila’ do ICMS, que envolvia restituições rápidas de créditos tributários mediante propinas a auditores fiscais. Cerca de 40 fiscais estão sob investigação, e a Corregedoria apura o caso a pedido do secretário Samuel Kinoshita.
Questionados sobre as informações, os empresários responderam a cerca de 200 perguntas, mas algumas respostas evasivas geraram dúvidas sobre a veracidade de seus relatos. O procurador-geral já afirmou que a investigação não poupará ninguém, independentemente do cargo ou posição.
Fonte: Estadão