O real apresenta forte valorização, com o dólar negociado próximo a R$ 5, patamar não visto há mais de um ano. Essa apreciação expressiva, em relação aos R$ 5,29 registrados em março, levanta dúvidas entre investidores sobre a oportunidade de comprar a moeda estrangeira. Especialistas divergem em alguns pontos, mas concordam sobre fatores fundamentais que impulsionam o cenário atual.

A valorização do real é influenciada por uma combinação de fatores globais e domésticos. A saída de capital dos Estados Unidos, em busca de outros mercados, e a atratividade do Brasil com juros elevados, ações acessíveis e indicadores econômicos positivos, como crescimento forte, baixo desemprego e inflação controlada, contribuem para o fluxo de investimentos estrangeiros.
A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, também beneficia a balança comercial brasileira, aumentando a entrada de moeda estrangeira. Esse cenário, embora inicialmente gerador de incerteza, acabou por favorecer o real, invertendo a tendência de busca por ativos seguros.
É hora de comprar dólar?
Diante da proximidade do dólar com a marca de R$ 5, a decisão de comprar agora ou esperar uma queda maior é um dilema. Especialistas recomendam cautela contra a tentativa de prever o momento exato, sugerindo uma abordagem gradual, como a estratégia de preço médio, que consiste em comprar aos poucos para obter um valor médio mais favorável.
Para viagens, a sugestão é fracionar a compra em diferentes períodos até a data. No caso de investimentos, o foco deve ser no longo prazo, tratando o dólar como uma proteção e mantendo uma parcela do patrimônio dolarizado, independentemente do cenário.
A dolarização é vista historicamente como uma tendência de alta, com quedas anteriores não retornando a patamares muito inferiores. A recente valorização do real é considerada uma janela de oportunidade para quem busca aumentar a exposição cambial.
Para quem já possui posição em dólar, o conselho é manter a estratégia original, pois movimentos de curto prazo não alteram o papel do dólar como proteção. Reduzir a posição agora implicaria em tentar prever o câmbio, o que raramente funciona. Aumentar a posição só faz sentido se a alocação em dólar estiver abaixo do planejado.
O dólar pode cair abaixo de R$ 5?
A barreira psicológica dos R$ 5 está em debate. Alguns analistas projetam que o dólar pode atingir R$ 4,80 em determinados momentos do ano. Uma queda sustentada abaixo de R$ 5 reduziria a pressão inflacionária no Brasil, especialmente em combustíveis e bens importados, mas também diminuiria a competitividade de exportadoras.
Um cenário de dólar abaixo de R$ 5 por vários meses consecutivos é considerado difícil por alguns especialistas, que apontam questões domésticas ainda a serem resolvidas. A moeda americana deve permanecer comportada, mas não abaixo desse patamar por tempo prolongado. A volatilidade é um fator a ser considerado, pois o câmbio responde rapidamente a mudanças no ambiente externo.
Por onde começar a investir em dólar?
Para quem deseja investir em dólar, é importante entender que isso envolve acessar ativos internacionais, como fundos, ETFs ou ações globais. A definição de objetivos, o nível de risco e o horizonte de investimento são cruciais antes de começar.
O primeiro passo é abrir conta em uma corretora que ofereça acesso a ativos no exterior. A entrada pode ser facilitada com uma parcela pequena via fundos internacionais, ETFs ou conta no exterior.
O erro mais comum entre os especialistas é a especulação de curto prazo, motivada apenas pela variação cambial. A abordagem deve ser de proteção de patrimônio e diversificação, mantendo um relacionamento de longo prazo com o dólar na carteira, e não como uma aposta.
Fonte: Infomoney