O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, formalizou junto ao Ministério Público de São Paulo os anexos de sua proposta de delação premiada. O movimento pode ampliar o alcance das investigações sobre fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no Estado.


A colaboração está vinculada à operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 para apurar a atuação do crime organizado em setores da economia formal.
Segundo informações divulgadas, o material entregue inclui documentos preliminares que detalham a estrutura do esquema e a atuação de agentes públicos. O empresário se compromete a relatar a participação de servidores e magistrados estaduais nas irregularidades. A proposta, no entanto, não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília.
Validação de informações
Como parte da tentativa de validação das informações, Leme entregou dezenas de celulares que utilizava, além de dados que, segundo seus advogados, permitem a verificação dos fatos narrados.
O conteúdo apresentado agora difere de uma tentativa anterior de colaboração. Em 2025, a Procuradoria-Geral da República rejeitou uma proposta de delação que mencionava nomes com foro privilegiado, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
À época, reportagens apontaram que o empresário teria oferecido presentes ao parlamentar em troca de apoio para reverter decisões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) envolvendo sua empresa, a Copape. Alcolumbre nega as acusações.
Operação Carbono Oculto
A operação Carbono Oculto investiga a utilização de empresas aparentemente regulares —como postos de combustíveis, padarias e fintechs— para práticas ilícitas, incluindo sonegação e lavagem de dinheiro. As apurações indicam a infiltração de organizações criminosas em atividades legais como forma de ocultar recursos de origem ilegal.
Próximos passos da delação
Foragido, Leme passou as últimas semanas em contato com advogados no Brasil para estruturar os anexos da delação. Esse conjunto de documentos funciona como uma prévia do conteúdo que poderá ser detalhado em depoimentos formais, caso o acordo avance.
A decisão sobre a aceitação da proposta caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo. A avaliação envolve tanto a consistência das provas apresentadas quanto a relevância das informações para o aprofundamento das investigações.
Fonte: Infomoney