Os juros futuros registraram forte alta nesta sexta-feira, atingindo novas máximas. O movimento é impulsionado pelos dados do IPCA de março, que vieram acima das expectativas do mercado e podem levar a uma revisão nas projeções de inflação para o ano. Adicionalmente, investidores demonstram cautela antes de negociações sobre a guerra no Oriente Médio, o que impacta a renda fixa.
Por volta das 15h05, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 saltou cerca de 20 pontos-base, alcançando 14,095%. O contrato de janeiro de 2028 registrou alta de 13,39% para 13,58%, e o de janeiro de 2029 subiu de 13,30% para 13,425%.
As surpresas negativas do IPCA de março indicam a necessidade de uma política monetária mais restritiva no Brasil. Atualmente, a curva a termo precifica a taxa Selic em 13,50% ao final do ano, o que sugere um ciclo de cortes de apenas 1,5 ponto percentual, considerando a redução de 0,25 ponto já realizada.
Participantes do mercado preveem que o IPCA de março forçará revisões nas estimativas de economistas, impactando o relatório Focus do Banco Central. As medidas de inflação implícita, calculadas pela diferença entre juros prefixados e juros reais das NTN-Bs, voltaram a subir após um período de alívio.
Em meio a um cenário de inflação mais pressionada, os investidores adotam uma postura defensiva devido às iminentes negociações entre Estados Unidos, Irã e Israel. A incerteza sobre os desdobramentos dessas conversas leva à redução do risco alocado.
A recente valorização dos juros futuros, que chegou a devolver cerca de 60 pontos-base em prêmios acrescidos desde o início do conflito no Oriente Médio, abre espaço para uma postura mais cautelosa, especialmente após a divulgação do IPCA de março.