A Colômbia convocou sua embaixadora em Quito, MarÃa Antonia Velasco, em resposta à decisão do Equador de impor tarifas de 100% sobre produtos importados do paÃs vizinho. A medida, anunciada pelo presidente equatoriano Daniel Noboa, eleva a tensão diplomática entre as nações, que estão em lados opostos do espectro ideológico.


O gesto de convocar um embaixador é um sinal de forte descontentamento na diplomacia. A crise entre Colômbia e Equador se intensificou após Quito acusar Bogotá de interferir em seus assuntos internos. Noboa justificou as tarifas pela falta de ação concreta da Colômbia no combate ao narcotráfico e outras atividades ilegais na fronteira comum de 600 quilômetros.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, reagiu criticando a medida equatoriana como uma “monstruosidade” e sugerindo que acordos comerciais regionais perderam valor. Petro também convocou ministros para uma reunião na fronteira e levantou a possibilidade de a Colômbia deixar a Comunidade Andina de Nações, expressando interesse em aprofundar a integração com o Mercosul.
A relação entre os paÃses tem sido marcada por conflitos recentes. Petro defendeu a libertação do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção, o que levou Quito a retirar seu embaixador em Bogotá e suspender grupos de trabalho bilaterais. Anteriormente, autoridades colombianas relataram que uma operação equatoriana com explosivos teria atingido território colombiano, incidente que Quito afirma ter ocorrido dentro de seu paÃs.
A disputa comercial se intensificou ao longo do ano, com o Equador aumentando progressivamente as tarifas de importação. A Colômbia respondeu com medidas recÃprocas e suspendeu o fornecimento de energia ao paÃs vizinho. Empresários apontam que a tarifa de 100% inviabiliza o comércio bilateral, afetando importações essenciais para o Equador, como medicamentos e pesticidas.
Fonte: UOL