Chinesas Aceleram Crescimento no Brasil com Novas Submarcas

Chinesas como Geely, Chery, BYD e GWM expandem atuação no Brasil com submarcas e planos de produção local, visando maior participação de mercado.

Grandes montadoras da China, incluindo aquelas com produção local, estão introduzindo suas submarcas no Brasil para expandir rapidamente sua participação de mercado. No ano passado, essas empresas detinham 10,2% das vendas de automóveis e comerciais leves, alcançando 14% no primeiro trimestre deste ano.

Em pouco mais de um ano, aproximadamente dez submarcas de grupos como Geely, Chery e BYD chegaram ao país, muitas com planos de fabricação local. Entre elas estão Denza (BYD), Omoda, Jaecoo e Jetour (Chery), Zeekr, Riddara e Farizon (Geely), Aion e Hyptec (GAC), e Avatr (Changan). Espera-se que mais marcas chinesas cheguem ainda este ano, aproveitando o vasto número de fabricantes de veículos no país asiático.

Consultorias estimam que as montadoras chinesas possam alcançar 30% das vendas no Brasil até 2030, e 35% até 2035. As novas marcas buscam fábricas prontas, parcerias com empresas estabelecidas ou terceirização da produção, inicialmente em SKD ou CKD, onde os veículos chegam parcialmente desmontados da China para finalização.

O foco atual está em utilitários-esportivos (SUVs) com preços entre R$ 160 mil e R$ 300 mil, segmento que representa 58% das vendas de automóveis no país. No futuro, a expansão deve incluir carros de entrada e picapes.

O Brasil conta hoje com cerca de 30 marcas chinesas, segundo a consultoria K.Lume. Algumas operam de forma independente, enquanto outras se agrupam. A GWM, por exemplo, gerencia cinco submarcas e já anunciou uma segunda fábrica no país.

Milad Kalume Neto, da K.Lume, alerta para uma possível saturação do mercado, indicando que “é muita marca e, definitivamente, não há espaço para todas”. Rogélio Golfarb, CEO da ZAG Work, contudo, avalia que muitas dessas empresas são fortes e não devem desaparecer, destacando que dez delas estão entre as 15 maiores da China.

Uma vantagem competitiva para as chinesas é a sinergia na adoção de tecnologias, uso de componentes e fornecedores da matriz e de suas submarcas, o que resulta em menor custo e maior competitividade devido à escala. A expansão global é uma estratégia chave para ganhar mercado e mitigar tarifas, especialmente diante da desaceleração das vendas na China e barreiras em outros países.

Participação crescente

O Brasil é um mercado crucial para a internacionalização dessas marcas. A estratégia de expansão global visa garantir espaço antes que concorrentes o façam e mitigar tarifas. A China enfrenta desaceleração nas vendas internas e sobrecapacidade em suas fábricas, o que impulsiona a busca por mercados externos.

A volta integral do imposto de importação de 35% no Brasil a partir de julho e o fim da isenção fiscal para importação de SKDs e CKDs desde janeiro impactam os custos. A concorrência acirrada em um mercado estagnado levará a uma maior divisão das fatias de mercado. A estratégia das chinesas evolui de apenas se estabelecer no mercado para se diferenciar e concretizar projetos de produção local.

Ambição e luxo

A BYD, líder em vendas de eletrificados na China e no Brasil, monta seus veículos na fábrica de Camaçari (BA) e ambiciona ser a número um do mercado total brasileiro até 2030. A empresa também introduziu sua marca de luxo Denza no país, com possibilidade de produção local na Bahia. Atualmente, a BYD figura em terceiro lugar no ranking nacional de vendas e planeja exportar para México e Argentina.

As marcas Omoda & Jaecoo (O&J), do grupo Chery, operarão juntas no Brasil, independentemente da Caoa Chery. Em dez meses de atuação, já venderam mais de 10 mil SUVs elétricos e híbridos. A empresa busca iniciar a produção no Brasil o quanto antes, considerando a fábrica da Caoa Chery em Jacareí (SP) como uma possibilidade.

A Jetour, importadora de SUVs off-road, prevê fabricação local a partir de 2027, considerando fatores como logística e incentivos fiscais.

Sociedade e parcerias

A Geely Car tornou-se sócia da Renault do Brasil, adquirindo 26,4% de suas ações. Iniciará a produção do SUV híbrido EX5 na fábrica da Renault no Paraná e, em 2027, do hatch elétrico EX2. A holding Geely possui outras três submarcas no Brasil (Zeekr, Riddara e Farizon), com a Link & Co. prevista para chegar em breve, sem planos de produção local por enquanto.

A GAC, com importações das marcas Aion e Hyptec, firmou acordo de cooperação com a HPE para terceirizar parte de sua fábrica ociosa para a montagem de modelos da chinesa em 2027.

O grupo Caoa, sócio da Chery desde 2017, estabeleceu nova parceria com a Changan, inaugurando a linha de montagem do SUV Uni-T em Anápolis (GO). Mais dois modelos serão produzidos a partir do segundo semestre. A Caoa também importa carros da Avatr, marca de luxo da Changan, com o SUV Avatr 11 custando R$ 600 mil.

Diante do sucesso das chinesas em eletrificados, montadoras tradicionais buscam alternativas. A Stellantis trouxe a Leapmotor, marca da qual detém 15% das ações na China, com produção prevista para este ano na fábrica de Goiana (PE).

Produção terceirizada

A General Motors produz desde dezembro o Spark e em breve o Captiva, ambos elétricos, fruto de joint venture com a Saic e Wuling na China. A GM optou por terceirizar a produção no Pace (Polo Automotivo do Ceará), contratando os serviços da brasileira Comexport. Este modelo visa flexibilidade e competitividade para projetos de escala reduzida. Paralelamente, a Saic escolheu o Pace para montar carros de sua marca de esportivos MG Motor.

Fonte: Estadão

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