A ideia de ‘Grande Israel’, um conceito expansionista com raízes bíblicas, tem ganhado força na política israelense, inspirando movimentos e declarações de figuras proeminentes. A visão, popular entre a extrema-direita israelense, propõe um Estado que abrange territórios para além das fronteiras atuais, incluindo partes de países vizinhos.






‘Grande Israel’ na política atual
O conceito de ‘Grande Israel’ ou ‘Eretz Israel HaShlema’ — ‘Israel Completo’ — é interpretado por alguns como a inclusão dos Territórios Palestinos Ocupados (Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza), além das Colinas de Golã e da Península do Sinai. Outros vislumbram um território que se estende do Rio Nilo, no Egito, ao Rio Eufrates, atravessando Turquia, Síria e Iraque.
Ministros israelenses, como Bezalel Smotrich (Finanças) e Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional), têm feito declarações e apresentado mapas que sugerem a expansão territorial. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também expressou conexão com a visão de ‘Grande Israel’, gerando reações de países como Egito e Jordânia.
Origens históricas e religiosas
A base para a ideia de ‘Grande Israel’ encontra-se em narrativas bíblicas, especificamente na promessa divina a Abraão de um território que se estende do Nilo ao Eufrates. Pensadores sionistas, como Theodor Herzl e Vladimir Jabotinsky, engajaram-se com essas fronteiras bíblicas em seus escritos e movimentos políticos. A organização paramilitar sionista ‘Irgun Zvai Leumi’ também utilizou o conceito em sua identidade visual.
David Ben-Gurion, o primeiro-ministro de Israel, embora tenha adotado uma abordagem mais pragmática para a fundação do Estado, deixou as fronteiras de Israel indefinidas na Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel em 1948, permitindo ambiguidade estratégica para futuras expansões.
Expansão territorial e a realidade atual
Israel expandiu suas fronteiras para além do proposto no Plano de Partilha da ONU de 1947. Após a Guerra Árabe-Israelense de 1948, Israel controlava cerca de 77% da antiga Palestina Mandatária. Desde a ocupação da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza em 1967, Israel passou a controlar quase toda a área, além das Colinas de Golã.
A comunidade internacional não reconhece essas áreas como parte do território soberano israelense, mas a presença de assentamentos judaicos nessas regiões é uma realidade consolidada. Mais de 700.000 colonos judeus israelenses vivem na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, segundo as Nações Unidas. A Corte Internacional de Justiça considerou a ocupação ilegal.
Embora a ideia de ‘Grande Israel’ não seja uma posição majoritária na sociedade israelense, a expansão territorial permeia partes significativas do governo. Declarações recentes de ministros sobre a anexação de territórios e a defesa da “emigração voluntária” de palestinos de Gaza indicam a persistência dessa influência.
Fonte: Dw