O líder do partido de oposição de Taiwan, o Kuomintang (KMT), Cheng Li-wun, reuniu-se com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. A visita, que Cheng descreveu como uma missão de paz para reduzir tensões, marca o retorno de um líder do KMT à China continental após uma década. Pequim vê a visita como um sinal de que há espaço político em Taiwan para os interesses chineses.






A China considera Taiwan uma província separatista que deve ser reunificada com o continente, preferencialmente de forma diplomática, mas sem descartar o uso da força. Xi Jinping reiterou a posição de que a China não tolerará a independência de Taiwan e que a unificação é uma tendência histórica inevitável. Ele expressou a disposição de fortalecer o diálogo com grupos taiwaneses, incluindo o KMT, sob a condição de oposição à independência.
Cheng Li-wun concordou com a necessidade de evitar a guerra e defendeu a superação do confronto político entre os dois lados do Estreito de Taiwan. A China cortou o contato de alto nível com Taiwan em 2016, após a eleição de Tsai Ing-wen, que rejeitou as reivindicações de Pequim. Desde então, as relações se deterioraram, com a China realizando exercícios militares em larga escala ao redor da ilha.
Pressão política em Taiwan
Após a eleição de Lai Ching-te, Pequim recusou-se a dialogar com o novo presidente, classificando-o como um “separatista”. A eleição de 2024 resultou em um governo dividido em Taiwan, com o KMT e o Partido Popular de Taiwan (TPP) detendo a maioria no parlamento. Essa coalizão utilizou sua influência para bloquear a aprovação de um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões, proposto pelo partido governista.
O Ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, alertou que o orçamento é crucial para contrariar a crescente ameaça militar da China. Apesar disso, membros do KMT decidiram não participar de negociações sobre o orçamento. O KMT afirma que a visita de Cheng à China não tem relação com os planos de gastos com defesa.
Visita de Trump à China se aproxima
A visita de Cheng ocorre semanas antes de uma cúpula prevista para maio entre Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, onde as relações EUA-Taiwan provavelmente serão um tema central. Os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas de Taiwan e oferecem apoio político, embora evitem reconhecer formalmente a independência da ilha.
Os EUA apoiaram o plano de gastos com defesa de Taiwan, que Cheng se opõe, preferindo um montante menor com a opção de adquirir mais armas americanas posteriormente. Relatos indicam que Trump estaria adiando um pacote de armas de US$ 13 bilhões para Taiwan para não prejudicar a cúpula.
Fonte: Dw