Um relatório de inteligência financeira (RIF) sobre transações do Banco Master, enviado à CPI do Crime Organizado no Senado, aponta a existência de operações que incluíam dinheiro vivo, garantias com valores inflados em empréstimos e destinação de recursos a empreendimentos associados a Nelson Tanure, investigado pela Polícia Federal.
O documento foi elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e abrange o período de 2022 a 2025. Ele detalha operações financeiras em espécie superiores aos limites definidos em normas, indicando o uso de dinheiro vivo em algum momento das transações, segundo investigadores.
A defesa de Tanure afirmou que o empresário jamais estabeleceu relação societária com o Master e que não houve participação oculta no banco, sendo apenas cliente nos últimos anos. A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos.
Operações com empresas e fundos
Um dos casos listados envolve a empresa de terraplanagem BTG Empreendimentos, com uma operação de R$ 468,8 milhões em setembro de 2024, que envolveu recursos em espécie. Parte dos recursos desses empréstimos foi injetada nos fundos DMais e Bravo, administrados pela Reag, levantando suspeitas de que o dinheiro tenha sido usado para bancar créditos podres e inflar ativos financeiros do Master.
O RIF também menciona recursos em espécie em uma operação com Marcelo Cohen e Belvitur Viagens, no valor de R$ 6 milhões em março de 2024. A BeFly, empresa de Cohen, afirmou que a operação foi um empréstimo regularmente firmado, com garantia de imóvel e registro em cartório.
O relatório faz duas menções a operações com o B10 Fundo de Investimento, totalizando R$ 317,2 milhões, e uma operação com a produtora Amando Vidas, no valor de R$ 3,89 milhões, também com menção a recursos em espécie. A assessoria da Amando Vidas negou o recebimento de valores em espécie.
Garantias infladas e incompatibilidade de valores
O RIF detalha suspeitas em uma operação de crédito entre o Master e a SI 02 – Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias, no valor de R$ 387,3 milhões. O relatório aponta que o valor da transação é incompatível com o porte da empresa e com o tamanho da empresa que ofertou as garantias. 231 imóveis foram dados em garantia com valores de avaliação muito superiores ao seu valor de mercado.
O relatório lista ainda menções a operações envolvendo a Lormont Participações, de Tanure, no valor de R$ 124,3 milhões, e a WNT Gestora de Recursos, cujas operações somam R$ 377 milhões. A WNT administra um fundo em que Tanure é cotista. A WNT afirmou ter atuado como gestora do fundo Structure em operações com o Master em condições regulares.


Fonte: UOL