O Banco da Coreia (BoK), banco central sul-coreano, decidiu manter sua taxa básica de juros inalterada em 2,50% pela sétima reunião consecutiva. A decisão ocorre em um momento de incertezas econômicas globais, com tensões no Oriente Médio impactando o comércio exterior do país.
A taxa de recompra de sete dias permanece estável desde o corte realizado em maio de 2025. A decisão estava em linha com as expectativas de 27 analistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, que não previam alterações.
O BoK, assim como outros bancos centrais, monitora o impacto do conflito no Oriente Médio na economia global. Instituições como os bancos centrais da Índia e da Nova Zelândia também optaram por manter suas taxas inalteradas recentemente, seguindo uma tendência observada na Ásia e no Ocidente.
Formuladores de política monetária devem manter a cautela no primeiro semestre, enquanto a economia global lida com o aumento dos preços de energia e interrupções nas cadeias de suprimentos. Apesar de um cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã, o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota crucial para o fornecimento de energia, permanece limitado, exercendo pressão sobre os mercados de petróleo, gás e commodities.
A Coreia do Sul, como grande importadora de petróleo e gás do Oriente Médio, está particularmente exposta à volatilidade do mercado de energia. Interrupções no fornecimento de insumos essenciais para a fabricação de chips, como o hélio, também representam um risco para a economia.
A preocupação com a estagflação — cenário de estagnação econômica com alta inflação — cresce no país, com os desdobramentos da guerra elevando os riscos de inflação e impactando negativamente o crescimento.
Analistas apontam que um eventual agravamento do conflito e aceleração da inflação poderiam forçar o Banco da Coreia a adotar uma política monetária mais restritiva. Espera-se que o atual governador do BoK, Rhee Chang-yong, evite dar orientações claras em sua última reunião antes do fim de seu mandato em 20 de abril. O governador eleito, Shin Hyun-song, assumirá a liderança e presidirá sua primeira reunião de política monetária em maio.
Fonte: Globo