Os juros futuros encerraram o pregão desta quinta-feira (9) em baixa, refletindo a diminuição da percepção de risco geopolítico associado à guerra no Oriente Médio. Embora o desempenho das taxas tenha sido mais moderado em comparação a outros mercados domésticos, a renda fixa acompanhou o otimismo geral, também impulsionada pela atuação menos agressiva do Tesouro Nacional em leilão de títulos prefixados.
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Ao final dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 caiu de 13,95% para 13,92%. A taxa do DI de janeiro de 2028 recuou de 13,455% para 13,40%, a do DI de janeiro de 2029 cedeu de 13,355% para 13,305%, e a do DI de janeiro baixou de 13,505% para 13,465%.
Em seu melhor momento no dia, as taxas de prazos intermediários chegaram a registrar quedas superiores a 10 pontos-base após a notícia de que Israel iniciou negociações formais com o Líbano. Ataques israelenses contra Beirute eram vistos como um potencial obstáculo aos esforços que levaram ao cessar-fogo acordado entre Estados Unidos e Irã.
Apesar das incertezas sobre os desdobramentos do conflito, investidores globais têm demonstrado menor aversão a ativos de risco, em meio a negociações que visam uma resolução para o conflito no Oriente Médio. A ausência de declarações polêmicas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribui para o cenário.
Com a melhora recente do mercado de renda fixa, a curva de juros local já precifica aproximadamente 1,75 ponto percentual em cortes da Selic este ano, o que levaria a taxa básica a 13,25%, considerando a redução de 0,25 ponto percentual ocorrida no mês passado. Há uma percepção de que os agentes voltaram a buscar oportunidades na curva e retomaram alocações em taxas prefixadas após o período de estresse causado pela guerra.
O Tesouro Nacional aumentou o volume da oferta de títulos prefixados em seu leilão regular desta quinta-feira. A entidade disponibilizou lotes de 12 milhões de LTN e 3 milhões de NTN-F, com todos os papéis sendo vendidos. O bom desempenho dos preços indicou uma demanda genuína por esses títulos.
A oferta de prefixados, com um aumento de cerca de 50% no risco alocado ao mercado em comparação com a semana anterior, sugere um ambiente menos pressionado. Contudo, a dinâmica ainda apresenta volatilidade, com dúvidas sobre a sustentação da trégua no Oriente Médio, o que gerou certa pressão nos juros futuros de longo prazo em determinados momentos da sessão.
O cenário atual permanece altamente dependente do ambiente externo, especialmente da evolução do preço do petróleo e das taxas de juros globais.
Fonte: Globo