A demanda por galpões logísticos segue aquecida, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico e pela busca por eficiência operacional. O CFO da Log Commercial Properties (LOGG3), Rafael Saliba, destaca que o e-commerce adiciona uma pressão estrutural que exige proximidade do consumidor e eficiência logística, aumentando a procura por esses ativos.






E-commerce impulsiona demanda e alta de preços
O crescimento do e-commerce consolidou uma nova dinâmica no setor, sustentando a demanda por infraestrutura logística mesmo em cenários de atividade econômica moderada. Paralelamente, o fenômeno de ‘flight to quality’ leva empresas a buscarem galpões mais modernos e eficientes, reduzindo perdas e ganhando produtividade. Enquanto o mercado geral apresenta taxas de vacância entre 7% e 8%, a Log registra níveis inferiores a 1%.
Com demanda elevada e oferta limitada, especialmente em regiões como São Paulo, os preços dos aluguéis subiram cerca de 50% desde 2021. Esse movimento permitiu a reprecificação de contratos, muitos ainda operando com valores defasados, gerando renegociações sem grande resistência dos clientes.
Brasil tem déficit de infraestrutura logística e sustenta expansão da Log
O Brasil ainda apresenta um déficit relevante em infraestrutura logística, com cerca de 40 milhões de metros quadrados de galpões de alto padrão, em comparação com os Estados Unidos, onde uma única cidade pode ter um estoque similar ao do país inteiro. Esse gap abre espaço para crescimento, com a Log prevendo adicionar 2 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL) até 2028.
Para sustentar essa expansão em um ambiente de juros elevados, a companhia combina crescimento, reciclagem de ativos e disciplina de capital. A estratégia inclui atuação nacional em cidades com mais de 1 milhão de habitantes e preferência por projetos especulativos. A empresa também expande sua atuação em serviços, administrando cerca de 3 milhões de metros quadrados para gerar receita recorrente com menor necessidade de capital.
Dividendos elevados, valorização e riscos no radar
A combinação de demanda aquecida, reprecificação de contratos e mudanças estratégicas impulsionou as ações da Log, com valorização próxima de 50% em 12 meses. A empresa se consolidou como uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa, com retorno entre 15% e 17% no último ano.
O CFO aponta que parte do mercado ainda não precificou o potencial da empresa, especialmente na frente de serviços, que cresce cerca de 50% ao ano. O principal ponto de atenção é o ambiente macroeconômico, com a trajetória dos juros podendo influenciar o custo de capital e o ritmo de expansão do setor. A companhia afirma estar preparada para navegar em diferentes cenários.
Fonte: Moneytimes