Ajuda internacional cai 23% em 2025 com cortes nos EUA, aponta OCDE

Ajuda internacional ao desenvolvimento despenca 23% em 2025, com EUA cortando 56,9% dos gastos. Alemanha assume liderança como maior doador.

A ajuda internacional ao desenvolvimento sofreu uma queda real de 23% em 2025, atingindo os menores níveis desde 2015, de acordo com dados preliminares da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Este representa o maior declínio nas doações de membros e associados do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) desde o início dos registros.

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Pela primeira vez, os cinco maiores doadores internacionais reduziram suas contribuições. Os Estados Unidos lideraram essa redução, cortando seus gastos com assistência oficial ao desenvolvimento em 56,9%. Com isso, a Alemanha se tornou o maior doador mundial em termos absolutos, apesar de também ter falhado em atingir suas próprias metas de ajuda internacional.

EUA se tornam o doador menos generoso em relação ao seu poder econômico

Os gastos totais com assistência oficial ao desenvolvimento (ODA) dos 34 membros do CAD e outros países importantes totalizaram US$ 174,3 bilhões, o que equivale a apenas 0,26% do produto nacional bruto (PNB) desses países. Apenas Dinamarca, Luxemburgo, Noruega e Suécia cumpriram a meta da ONU de destinar 0,7% do PNB para ajuda.

Os cinco maiores doadores — Alemanha, EUA, Reino Unido, Japão e França — diminuíram suas contribuições em 2025, respondendo por 95,7% da redução geral. Sozinhos, os EUA foram responsáveis por três quartos do declínio, com o corte de US$ 56,9% em seus gastos com ajuda, o maior já registrado por qualquer país. Isso coloca os EUA como o doador menos generoso em relação ao tamanho de sua economia em todo o CAD, destinando 0,26% do PNB.

Doadores bilaterais fora do CAD, como Turquia, Emirados Árabes Unidos e Catar, estão se tornando cada vez mais relevantes à medida que as contribuições europeias e americanas diminuem.

OCDE expressa preocupação com a queda na ajuda ao desenvolvimento

O Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann, expressou profunda preocupação com a queda acentuada na ODA em 2025, atribuída aos cortes drásticos entre os principais doadores. Ele ressaltou a necessidade de maximizar o impacto dos recursos disponíveis e utilizá-los de forma mais eficaz para desbloquear novas fontes de investimento.

Carsten Staur, presidente do comitê de assistência da OCDE, descreveu a situação como “extremamente sombria” e previu um declínio mais modesto de 5,8% em 2026, classificando a tendência como um “choque enorme para o sistema”.

Alemanha falha em meta, mas se torna maior doadora em volume

As contribuições de ODA da Alemanha diminuíram de 0,68% do PNB em 2024 para 0,56%, totalizando US$ 29,09 bilhões. Excluindo o financiamento de assistência a refugiados dentro da Alemanha, o valor cai para 0,46%. No entanto, a Alemanha se tornou o maior doador geral do mundo pela primeira vez, enquanto os EUA, com uma economia seis vezes maior, reduziram drasticamente seus gastos.

Organizações de ajuda criticaram o governo alemão, e especialistas apontaram que as reduções não atendem aos interesses de segurança da Alemanha, abrindo espaço geopolítico para Rússia e China. Organizações como Oxfam Alemanha e diversas instituições religiosas emitiram declarações conjuntas lamentando uma “perigosa espiral descendente” nos gastos.

Ajuda à Ucrânia aumenta via UE, apesar do declínio geral

A ajuda bilateral líquida à Ucrânia caiu 38,2% no ano passado, impulsionada pela forte queda dos EUA. No entanto, com novo apoio canalizado por meio das instituições da União Europeia, as doações totais à Ucrânia totalizaram US$ 44,9 bilhões, um aumento de 18,7% em relação a 2024. Este valor representa o maior volume de ODA líquida para um único destinatário em qualquer ano registrado, superando a ODA bilateral combinada dos membros do CAD para todos os países menos desenvolvidos e para toda a África Subsaariana.

A redução nas doações foi mais acentuada na assistência bilateral ao desenvolvimento (queda de 26,4%), enquanto os gastos multilaterais com ODA caíram 12,7%. A queda foi mais expressiva em doações (29,3%) do que em empréstimos (10,3%).

Fonte: Dw

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