A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que um aumento salarial será implementado em 1º de maio. A promessa visa combater a corrosão dos salários pela inflação e pelo colapso econômico que afeta o país há uma década.
Rodríguez declarou, em discurso televisionado, que o aumento será “responsável”, mas não detalhou valores. Atualmente, o salário mínimo na Venezuela é de aproximadamente US$ 0,27 por hora, com a inflação anual superando 600%. Mesmo com bônus estatais, a renda mensal de muitos venezuelanos não ultrapassa US$ 150, montante insuficiente para cobrir despesas básicas de alimentação.
Diálogo laboral e revisão econômica
Em resposta a protestos de trabalhadores por melhores salários, Rodríguez também anunciou a criação de uma comissão para o “diálogo laboral”. A medida ocorre na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas em Caracas.
A líder venezuelana apresentou um plano para dinamizar a economia, que inclui a revisão do modelo chavista, diálogo social, reformas fiscais e alterações na legislação imobiliária. Ela mencionou a correção de “erros do passado” sem definir ações concretas.
Recuperação de ativos e infraestrutura
Uma comissão será formada para avaliar os ativos do país, excluindo a indústria petrolífera, com participação de representantes do Estado, empresariado e trabalhadores. Rodríguez afirmou que a recuperação de ativos venezuelanos bloqueados no exterior será destinada ao aumento salarial e à reabilitação de infraestruturas básicas, como fornecimento de energia, água, estradas, escolas e hospitais.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, governando sob pressão internacional e com o objetivo de restaurar a renda dos trabalhadores por meio do crescimento produtivo.