O ex-presidente do Banco Central (BC), Arminio Fraga, criticou a condução da política fiscal pelo governo Lula. Segundo o economista, o cenário atual dificulta a atuação do BC no controle da inflação no país.
A avaliação foi feita em entrevista após um evento no Rio de Janeiro. Fraga foi questionado sobre o contexto econômico diante dos impactos da guerra no Irã, que pressiona as cotações do petróleo e traz ameaças para a inflação.
“Não é bom [o choque gerado pelo conflito], mas o que o Banco Central vem fazendo é o que dá para fazer. O que faz falta é uma política fiscal que facilite um pouco a vida do Banco Central, e isso não temos tido há um bom tempo”, afirmou.
Fraga acrescentou que a falta de uma política fiscal adequada cria fragilidades e começa a afetar a saúde das empresas e do estado brasileiro.
Para conter a inflação, o BC promoveu um aumento da taxa básica de juros (Selic) a partir de setembro de 2024, atingindo 15% ao ano em junho de 2025. A taxa foi reduzida para 14,75% em março deste ano.
Os juros elevados encarecem o consumo e os investimentos produtivos, buscando frear a demanda e a pressão sobre os preços, com o efeito colateral esperado de desaceleração da economia.
O governo Lula, por sua vez, adotou medidas de estímulo ao Produto Interno Bruto (PIB) desde 2023. Uma ala de analistas avalia que essa postura dificulta o trabalho do BC, pois um crescimento acima do potencial pode gerar impactos na inflação.
Arminio Fraga participou de um seminário sobre política monetária promovido no Rio pelo FGV Ibre. Ao ser perguntado sobre as razões dos juros historicamente altos no Brasil, o economista destacou a política fiscal e o endividamento do setor público, afirmando que não há Banco Central que funcione bem com “política fiscal fraca”.