O BTG Pactual assinou um acordo de intenção para a aquisição do Digimais, banco pertencente ao bispo Edir Macedo. A transação, confirmada pelo banco de André Esteves, ainda depende de diversas tratativas, incluindo um acerto com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para o financiamento da operação.
O acordo visa estabelecer um valor de referência para a alienação total das ações do Digimais em um processo competitivo. Outras instituições financeiras podem apresentar ofertas, mas o BTG Pactual é o principal interessado. A conclusão do negócio está sujeita à aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A venda do Digimais é vista como uma forma de evitar a liquidação do banco, o que poderia gerar perdas maiores para o FGC. O fundo, criado para garantir depósitos em caso de quebra de instituições financeiras, pode ter um desembolso significativo com a operação, estimado em até R$ 8 bilhões, além de outros casos como o do Banco Master.
Histórico do Digimais
Originalmente fundado em 1981 como Banco Renner pela família da varejista de roupas, o banco foi adquirido por Edir Macedo em 2020, mudando o nome para Digimais. O foco inicial era o financiamento de veículos no Rio Grande do Sul, mas a nova gestão buscou diversificar as receitas com carteiras de crédito e títulos mobiliários.
Apesar de ter registrado lucro líquido de R$ 31 milhões e ativos de R$ 10 bilhões em 2025, o banco enfrentou deterioração financeira devido à falta de controle rigoroso nas carteiras e gestão de ativos. Isso levou o controlador a realizar aportes para cumprir as exigências do Banco Central.
Desafios e Tentativas de Venda
O estresse financeiro se refletiu na alta rentabilidade de CDBs oferecidos pelo Digimais, que chegavam a 130% do CDI, acima da média de mercado. A situação levou o bispo Edir Macedo a colocar o banco à venda. Anteriormente, uma aquisição pelo ex-sócio do Banco Master, Maurício Quadrado, foi cancelada.
A instituição também enfrenta uma batalha judicial relacionada a ativos gerados pelo Banco Master. O Digimais vendeu uma carteira de crédito para o fundo EXP1, mas o fundo alega que parte dos ativos não existe e exige a devolução dos valores pagos.