O Congresso argentino discute nesta quarta-feira (8) uma proposta do governo para que as províncias redefinam as áreas de proteção a geleiras, visando ampliar a exploração da mineração no país. A iniciativa busca atrair investimentos e é defendida pelo presidente Javier Milei como necessária para o desenvolvimento econômico.

A modificação da “Lei das Geleiras” foi aprovada pelo Senado em fevereiro e conta com o apoio de governadores de províncias andinas, como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, que possuem projetos de cobre, ouro e lítio e concentram grande parte das geleiras argentinas.
Milei argumenta que a emenda visa eliminar “distorções ideológicas e barreiras artificiais”, criticando ambientalistas por priorizarem a preservação em detrimento do desenvolvimento econômico. Apoiadores da reforma afirmam que a proposta esclarecerá critérios “imprecisos” e trará “segurança jurídica”, permitindo que as províncias definam áreas com relevância hídrica.
Por outro lado, ativistas do Greenpeace protestaram contra a medida, escalando um monumento em frente ao Parlamento com um cartaz pedindo aos deputados que “não toquem na lei sobre geleiras”. Sete ativistas foram presos pela polícia. Diego Salas, diretor de comunicação do Greenpeace Argentina, afirmou que os argentinos rejeitam as mudanças propostas.
Relatores da ONU alertaram que a medida pode “colocar em risco os ecossistemas aquáticos”. Dados do Banco Central indicam que a Argentina tem potencial para triplicar suas exportações de minérios até 2030. No entanto, o Instituto Argentino de Nivologia e Glaciologia reportou que as geleiras no noroeste do país diminuíram 17% na última década.
Fonte: UOL