O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que não existem auditorias ou sindicâncias na autoridade monetária que apontem responsabilidade de Roberto Campos Neto, ex-presidente do órgão, no tratamento do caso do Banco Master. Galípolo fez a afirmação durante sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado.
Galípolo explicou que o Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado, após o próprio banco admitir dificuldades financeiras e seu passivo consumir a maior parte do caixa, comprometendo a liquidez e a capacidade de honrar compromissos. Ele também mencionou que, mesmo após sua chegada ao BC em janeiro de 2025, ainda responde a questionamentos sobre a possível precipitação da decisão de liquidação.
Servidores afastados do BC
Dois servidores do Banco Central foram afastados e são investigados por suposto envolvimento no Caso Master. Segundo as apurações, eles teriam fornecido orientações estratégicas, revisado documentos, vazado informações e usado influência interna para favorecer o Master, recebendo vantagens indevidas em troca.
Reunião com Lula e o caso Master
O presidente do BC detalhou uma reunião no Palácio do Planalto com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, onde os acionistas relataram uma suposta perseguição do mercado financeiro. Após a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou que o caso fosse tratado tecnicamente, sem “pirotecnia”, e que a responsabilidade era do Banco Central.
Autorização para operar
Galípolo apresentou a linha do tempo da autorização para o Master operar. O pedido foi inicialmente rejeitado em fevereiro de 2019, sob a presidência de Ilan Goldfajn, por falta de clareza na origem dos recursos. Posteriormente, em outubro de 2019, já sob a gestão de Campos Neto, a autorização foi concedida, apesar do histórico do banco apresentar endossos à sua saúde financeira.