O mercado brasileiro de veículos elétricos enfrenta um cenário de aumento tarifário que pode impactar o acesso à tecnologia. Após um período de alíquotas reduzidas, o governo federal retomou o aumento gradual dos impostos sobre importação de elétricos puros. A previsão é que a tarifa alcance 35% em julho de 2026, retornando a patamares históricos de proteção de mercado.
O argumento para o retorno das barreiras é a defesa da indústria nacional e a manutenção de empregos no setor automotivo, que é responsável por cerca de 1,3 milhão de postos de trabalho no Brasil. O imposto elevado visa equilibrar a competição com subsídios estrangeiros e incentivar a nacionalização da produção, com programas como o Mover buscando atrair montadoras para o país.
Entretanto, a estratégia de encarecer produtos importados gera um custo direto ao consumidor. O aumento do imposto pressiona os preços finais, tornando o comprador o principal afetado em uma disputa geopolítica e industrial. Especialistas alertam que elevar custos pode criar um ambiente artificialmente caro, dificultando a transição energética e o acesso a veículos mais eficientes.
A história econômica brasileira mostra que mercados fechados podem resultar em produtos defasados. O risco atual é repetir receitas antigas que garantem fôlego temporário às fábricas, mas falham em integrar o Brasil às transformações globais de produtividade e inovação tecnológica. A proteção tarifária não deve ser o fim da política industrial, mas um meio acompanhado de melhorias no ambiente de negócios e redução de custos para o comprador.
Fonte: Estadão