O bitcoin (BTC) apresentou alta e voltou a se aproximar de US$ 72 mil nesta quarta-feira (8), impulsionado pela melhora do humor global após os Estados Unidos e o Irã concordarem com uma trégua inicial. O alívio no conflito reduziu a pressão sobre o petróleo e favoreceu uma recuperação mais ampla dos ativos de risco.
Por volta das 11h, o bitcoin era negociado a US$ 71.703,31, com alta de 5% nas últimas 24 horas. Entre as principais altcoins, o ethereum (ETH) registrava avanço de 8%, a BNB subia 1,9%, o XRP ganhava 5,5% e a solana (SOL) valorizava 6,6% no mesmo período.
Após semanas de tensão no Oriente Médio impactando o setor de energia, a inflação e as expectativas para os juros americanos, a perspectiva de cessar-fogo devolveu parte do apetite por risco ao mercado. A reabertura do Estreito de Ormuz também contribuiu para aliviar uma das principais preocupações recentes.
O petróleo tipo Brent chegou a cair para US$ 91,70, após encerrar o dia anterior a US$ 109,27, enquanto bolsas e outros ativos mais sensíveis ao risco avançavam com força. Para o bitcoin, isso representa a retirada, ao menos temporária, de um fator que limitava sua recuperação.
Fábio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, avalia que o mercado de criptoativos entra no segundo trimestre em compasso de espera. Ele afirma que a perspectiva para o setor é neutra, diante de um cenário geopolítico ainda instável.
Segundo Plein, o comportamento dos preços no curto prazo deve continuar mais ligado às manchetes macroeconômicas do que a fatores específicos do mercado cripto, embora o bitcoin tenha demonstrado resiliência.
A melhora no cenário não resolve todas as preocupações. O mercado continua atento ao efeito da guerra sobre a inflação e os juros nos Estados Unidos. Mesmo com a trégua, investidores monitoram o impacto dos preços de energia nos próximos indicadores americanos, pois qualquer sinal de inflação mais resistente pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Para uma solução mais duradoura, o alívio nos preços do petróleo e na inflação pode abrir espaço para uma recuperação mais consistente. Caso o acordo perca força, a volatilidade tende a retornar rapidamente.