O senador americano JD Vance elogiou o cessar-fogo temporário no Irã, mas também direcionou sua atenção para a guerra na Ucrânia e seu impacto em Budapeste durante sua visita à Hungria. Vance destacou que a administração Trump havia feito “progresso significativo” em seus esforços para intermediar um cessar-fogo entre Kiev e Moscou, mas admitiu que foi “a guerra mais difícil de resolver”.






Vance criticou a liderança política europeia, elogiando Viktor Orbán por seu comportamento durante o impasse diplomático. “Ficamos desapontados com muita liderança política na Europa porque eles não parecem particularmente interessados em resolver este conflito em particular”, disse ele. Governos europeus, por outro lado, afirmam que desejam o fim do conflito, mas que este deve ser uma paz justa, sem capitulação parcial ucraniana.
O senador expressou otimismo quanto ao fim dos combates, “porque fundamentalmente esta guerra parou de fazer sentido”. Ele questionou se a disputa por alguns quilômetros quadrados de território vale centenas de milhares de vidas russas e ucranianas adicionais, além de meses ou anos de preços mais altos de energia e devastação econômica.
Críticas à Ucrânia e apoio a Orbán
Vance afirmou que Orbán tem sido o líder europeu mais útil nos esforços diplomáticos dos EUA. “O mais útil tem sido Viktor, porque Viktor é quem nos encorajou a realmente entender isso, a entender da perspectiva tanto dos ucranianos quanto dos russos o que é necessário para que eles acabem com o conflito”, disse ele.
A Hungria tem disputado com a Ucrânia há semanas, intensificando-se com o aumento dos preços do petróleo e a guerra no Irã, devido à interrupção das entregas de petróleo da Rússia através de um oleoduto que passa pela Ucrânia. A Ucrânia afirma que bombardeios russos danificaram o oleoduto, enquanto a Hungria duvida dessa versão. Budapeste, sem litoral, obteve isenção das sanções da UE na compra de petróleo russo devido à sua alta dependência.
Orbán está bloqueando um importante pacote de empréstimos da UE para a Ucrânia, originalmente acordado em dezembro. Vance abordou a discussão sobre o assunto, chamando a reação do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy ao bloqueio de Orbán de “escandalosa”. Zelenskyy havia insinuado que poderia fornecer o endereço de Orbán ao militar ucraniano.
Reações e cenário político húngaro
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, concordou com as críticas de Vance. “Muitas forças na Europa, muitas forças em Bruxelas, não gostariam que Orbán ganhasse as eleições novamente”, disse Peskov a repórteres em Berlim. Ele acrescentou que a publicação de materiais que poderiam prejudicar Orbán beneficia as forças que se opõem politicamente a ele.
Em Berlim, um porta-voz do governo contestou as alegações de Vance sobre interferência eleitoral e buscou invertê-las. “O fato de Vance estar na Hungria já mostra, ou fala por si, quem está interferindo em quê”, disse o porta-voz.
A maioria das pesquisas na Hungria coloca Orbán atrás de um rival nacionalista dissidente e ex-membro de seu partido, Peter Magyar. A disputa eleitoral promete ser o desafio mais acirrado que Orbán enfrenta em anos. Magyar tem focado principalmente em questões domésticas como corrupção e um escândalo de abuso sexual infantil em instituições estatais.
Fonte: Dw