A guerra no Irã está impactando o fornecimento global de fertilizantes, bloqueando tanto a exportação quanto a chegada de um de seus ingredientes críticos no Golfo Pérsico. Quase metade da ureia comercializada mundialmente, o fertilizante nitrogenado mais utilizado, provém do Golfo, assim como um quinto do gás natural liquefeito (GNL) global.






O processo Haber-Bosch, centenário, combina nitrogênio do ar com hidrogênio (proveniente do GNL) para produzir amônia, essencial na fabricação de fertilizantes nitrogenados. Especialistas alertam que a situação está próxima de um cenário de piora, com plantas de fertilizantes e GNL do Catar a Bangladesh já iniciando paralisações.
Governos buscam soluções emergenciais
Governos buscam intervir no mercado para controlar oferta e demanda. A Índia, por exemplo, possui grandes estoques de arroz e trigo que podem ser utilizados caso a oferta diminua. A China, maior produtora mundial de fertilizantes, mantém estoques volumosos.
Em cenários de aumento de preços, alguns governos absorvem os custos em vez de repassá-los aos agricultores. Em 2022, após a invasão da Ucrânia, que gerou um choque no fornecimento de fertilizantes, a Índia aumentou seu subsídio em 233%.
Países também podem restringir o comércio para priorizar suas populações. No entanto, essas medidas podem ser prejudiciais a outros países, e nem todos possuem recursos para subsidiar fertilizantes, como é o caso de Bangladesh, Nepal e Sri Lanka.
Mudança para culturas menos intensivas
Outra alternativa para os agricultores é a mudança para culturas que demandam menos fertilizantes. Soja e outras leguminosas, por exemplo, capturam nitrogênio do ar e necessitam de menos insumos em comparação com o milho.
Projeções indicam um aumento no plantio de soja e uma diminuição no de milho nos Estados Unidos. Contudo, essa opção não é viável para todos. Na Ásia, a escolha de culturas é limitada pela necessidade de resistir a chuvas intensas durante a monção, tornando a transição do arroz, um alimento básico, inviável.
Otimização do uso de fertilizantes
Agricultores podem otimizar a aplicação de fertilizantes em suas lavouras. Estimativas indicam que apenas metade do fertilizante aplicado é utilizado efetivamente pelas culturas, com o restante sendo perdido para o solo ou atmosfera.
Tecnologias como drones, câmeras e inteligência artificial auxiliam na agricultura de precisão, monitorando as culturas e determinando a quantidade exata de fertilizante necessária. Embora úteis, essas ferramentas podem ser caras e inacessíveis a curto prazo para agricultores em países mais pobres.
A motivação também é um fator crucial. Quando o fertilizante é subsidiado, o incentivo para um uso eficiente diminui. No entanto, com o aumento dos preços, agricultores em países como Bangladesh conseguiram reduzir o uso sem comprometer a produção de arroz.
Novas formas de produção
Existem também iniciativas para produzir fertilizantes de maneiras alternativas, reduzindo a dependência de rotas de transporte globais. Uma startup americana desenvolveu um método que utiliza micróbios aplicados às sementes para converter nitrogênio do ar em uma forma utilizável pelas plantas.
Essas novas tecnologias representam soluções de médio a longo prazo. A prioridade imediata é a estabilização do fornecimento de fertilizantes, que está sofrendo perdas em uma escala sem precedentes.
Fonte: Dw