STF decide eleição direta para governador tampão no Rio de Janeiro

STF decide se eleição para governador tampão no Rio de Janeiro será direta ou indireta. Possível clima de campanha por seis meses.

O Rio de Janeiro pode enfrentar um período de campanha eleitoral prolongado, com duração de seis meses, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) opte pela realização de eleições diretas para escolher o governador tampão. Este novo gestor comandará o estado até o final de 2026, sucedendo Cláudio Castro, cuja cassação foi determinada.

1730050685671e7a7d3b477 1730050685 3x2 md
1730050685671e7a7d3b477 1730050685 3×2 md
1734126988675cad8c42b51 1734126988 3x2 md
1734126988675cad8c42b51 1734126988 3×2 md
177514758169ce9a3d194ca 1775147581 3x2 md
177514758169ce9a3d194ca 1775147581 3×2 md

A projeção de um cenário de campanha intensa baseia-se nos prazos estabelecidos durante a eleição suplementar ocorrida no Tocantins em 2018, após a cassação do então governador Marcelo Miranda. Se o mesmo cronograma for aplicado, o governador tampão poderá ser diplomado na mesma semana em que for escolhido como candidato à reeleição em convenção partidária.

O STF julga nesta quarta-feira (8) a modalidade da eleição: direta, por voto popular, ou indireta, definida pelos deputados estaduais. Quatro ministros já manifestaram apoio à escolha popular.

Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro, declarou que disputará o mandato tampão caso a eleição seja direta. O deputado estadual Douglas Ruas também postula o cargo em qualquer cenário, com a intenção de concorrer à eleição de outubro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reservou duas datas antes de outubro para eleições suplementares em 2026: 17 de maio e 21 de junho. Políticos e advogados consideram a última data como a mais provável para o pleito, caso o STF decida pela eleição direta, devido aos prazos do calendário eleitoral.

Seguindo os intervalos adotados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Tocantins em 2018, as convenções partidárias para a definição dos candidatos ao mandato tampão poderiam iniciar em 27 de abril, 55 dias antes da eleição. A disputa poderia se estender até 12 de julho, data provável para o segundo turno, com a diplomação ocorrendo até 27 de julho.

No entanto, dias antes, em 20 de julho, está previsto o início do prazo para as convenções partidárias que escolherão os candidatos para a eleição de outubro, com possibilidade de ocorrerem até 5 de agosto. Assim, o vencedor da disputa pelo mandato tampão poderá, na mesma semana, tomar posse e ser indicado como postulante à reeleição.

Desde 2007, ocorreram duas eleições suplementares para governador: em 2017, no Amazonas, e em 2018, no Tocantins. Ambos os estados seguiram calendários semelhantes, com diferenças pontuais na propaganda de rádio e TV.

O Tocantins enfrentou um calendário apertado, similar ao cenário fluminense. Marcelo Miranda foi cassado pelo TSE em 22 de março de 2018. Treze dias depois, o TRE-TO publicou seu calendário para as eleições suplementares, com o primeiro turno em 3 de junho.

Cláudio Castro foi cassado em 23 de março deste ano, mas sem determinação para eleição direta.

Caso o STF decida pelo pleito direto, o TRE-RJ terá 14 dias para editar uma resolução, mantendo o calendário eleitoral de 60 dias para eleição suplementar, como fez o TRE-TO. O tribunal fluminense aguarda a definição do Supremo.

Uma diferença significativa é o tamanho do eleitorado: 1,2 milhão no Tocantins contra 13 milhões no Rio de Janeiro, o terceiro maior do país. As dificuldades logísticas são apontadas como um entrave para a realização de até quatro votações em um intervalo de quatro meses.

A realização de eleição direta é tema de uma reclamação apresentada no STF pelo PSD-RJ. O partido alega que a renúncia de Castro deveria ser desconsiderada, pois ocorreu na véspera do julgamento em que foi cassado no TSE.

A legislação prevê pleito direto em caso de cassação, se ocorrer antes de seis meses do fim do mandato, enquanto a dupla vacância por renúncia leva a decisão da sucessão para eleição indireta. O PSD argumenta que a renúncia de Castro foi uma manobra para que a escolha do sucessor imediato ocorresse na Assembleia Legislativa, onde possui maioria.

O ministro Alexandre de Moraes apresentou argumentos semelhantes em voto durante julgamento virtual sobre a lei estadual das eleições indiretas. Ele indicou que, no caso atual, o sucessor deveria ser escolhido pelo voto popular. Moraes foi acompanhado pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino. Cristiano Zanin inicialmente se alinhou ao entendimento, mas retirou seu voto após ser sorteado relator da reclamação do PSD-RJ, solicitando a interrupção do julgamento e que os processos fossem julgados juntos.

A desintegração da linha sucessória do Rio de Janeiro começou em maio de 2025, quando Castro convenceu seu vice, Thiago Pampolha, a renunciar para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O objetivo era abrir caminho para que Rodrigo Bacellar ocupasse o governo em caso de renúncia de Castro para disputar o Senado, sendo escolhido pela Alerj em eleição indireta.

O plano foi frustrado quando Bacellar foi preso e afastado do cargo sob suspeita de vazar informações de uma operação que prendeu o ex-deputado TH Joias. Bacellar nega as acusações.

Guilherme Delaroli substituiu Bacellar no comando da Assembleia. Por ser interino, ele não pode assumir o governo estadual em caso de vacância dos cargos de governador e vice.

Atualmente, o estado está sob comando do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, o último na linha sucessória. Zanin determinou, em liminar, que ele permaneça no cargo até a escolha do governador tampão, tema que será discutido na próxima quarta-feira.

Fonte: UOL

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade