Fazenda Churrascada expande no Parque da Água Branca e busca reverter multa

Fazenda Churrascada expande com área kids no Parque da Água Branca e negocia reversão de multa milionária por intervenções não autorizadas.

A Fazenda Churrascada recebeu autorização para expandir suas operações no Parque da Água Branca, em São Paulo, com a criação de um playground em um antigo galpão. Este espaço anteriormente abrigava a feira da Associação de Agricultura Orgânica, que foi realocada há mais de um ano devido a críticas de frequentadores e vizinhos.

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Paralelamente, o restaurante está em negociações para anular uma multa de R$ 899,4 mil. A penalidade foi aplicada por intervenções não autorizadas realizadas em 2025. A proposta em discussão envolve a reforma do gatil de felinos abandonados nas proximidades, como forma de ajuste de conduta.

O Parque da Água Branca, tombado em nível estadual, completa 30 anos em 2026. A concessão do espaço à iniciativa privada, iniciada em 2022, tem gerado críticas de moradores locais quanto à preservação do patrimônio cultural.

O Heat Group, responsável pelo restaurante, afirmou em nota que mantém diálogo com os órgãos competentes e que o parque possui vocação para convívio comunitário. A empresa defende que alternativas à multa podem beneficiar o local e a população, reiterando seu compromisso com normas, transparência e valorização do patrimônio público.

A Reserva Parques, concessionária que aluga as áreas ao Heat Group, declarou que atua dentro do escopo contratual e institucional, em constante diálogo com as autoridades e em conformidade com as normas. A empresa ressaltou que as medidas administrativas em questão estão em andamento.

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa informou que empresas multadas têm direito a buscar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). A Arsesp, agência reguladora de serviços públicos, confirmou que o processo administrativo contra a churrascaria segue em tramitação e que multas podem ser aplicadas caso cláusulas contratuais sejam descumpridas.

O restaurante opera atualmente com um alvará de evento temporário, cuja validade é de seis meses e pode ser prorrogada apenas uma vez, com previsão de expirar por volta de junho. Apesar disso, o contrato de aluguel do galpão e do prédio do restaurante, firmado em outubro de 2024, tem validade de 54 meses, estendendo-se até 2029, com previsão de restauração da edificação até setembro de 2027.

Espaço kids e acordo para restauração

O projeto do “espaço kids” apresentado à prefeitura não prevê intervenções construtivas significativas, com exceção de um furo para ativação de hidrante. Brinquedos como cama elástica e escorregador não terão contato direto com as estruturas originais do galpão.

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) anuiu com a implantação, solicitando à Reserva Parques um cronograma detalhado para o restauro de todas as construções do parque.

Fotos de fiscais indicam que parte dos brinquedos do playground já estava instalada no galpão desde o ano passado, mas o espaço ainda não havia sido aberto ao público. As intervenções foram constatadas como não permanentes, o que levou o Conpresp a autorizar a regularização do espaço em junho de 2025, sem anular a multa aplicada.

A Fazenda Churrascada contesta a multa, argumentando que não houve danos significativos ao imóvel e que a penalidade deveria ser calculada apenas sobre a área ocupada pelo restaurante, reduzindo o valor de R$ 899,4 mil para R$ 151,5 mil.

No final de 2025, a empresa já havia demonstrado interesse em um acordo, propondo ações voltadas à memória do espaço, como a capacitação de guias. A reforma do gatil, que abriga cerca de 44 animais, foi apresentada em março, com a possibilidade de receber sugestões do conselho gestor do parque.

Funcionamento do restaurante no prédio histórico

Atualmente, o restaurante opera exclusivamente no prédio da antiga cocheira de equinos, construído há aproximadamente cem anos e que abrigou a cavalaria da Polícia Militar até os anos 1970. Com as adaptações, o local tem capacidade para 426 pessoas.

O Conpresp havia avaliado anteriormente que a cenografia utilizada pelo estabelecimento descaracterizava o uso original do prédio, sugerindo alterações para melhor refletir sua história.

Levantamentos da Reserva Parques e do Estado já indicavam a necessidade de restauração para solucionar problemas como infiltrações, desprendimento de argamassa e fissuras.

Fonte: UOL

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