O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) promoveu alterações em regras do crédito consignado que permitiram a operação de um cartão de benefícios, impulsionando o Banco Master entre 2022 e 2025. Uma dessas mudanças ocorreu 16 dias após o recebimento de um ofício do Master com a intenção de operar o cartão.


A criação de normas específicas para o cartão consignado de benefício, no último ano do governo Jair Bolsonaro, alavancou as operações do Credcesta, do Master. Essa modalidade de crédito consignado foi trazida para o banco de Daniel Vorcaro por Augusto Lima, que se tornariam sócios.
O Credcesta, um cartão consignado com serviços adicionais como desconto em farmácia e auxílio-funeral, funcionou como um motor para o Master até a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central em novembro do ano passado. O serviço se expandiu por 24 estados e 176 municípios, com foco em servidores públicos estaduais e municipais.
Com a alteração de regras no INSS, o Credcesta passou a operar com aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do BPC. Dados do INSS indicam que os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.
Mudanças nas regras do INSS
Documentos obtidos pela reportagem mostram que as regras adotadas sob medida em 2022 permitiram o funcionamento do Credcesta naquele ano, com expansão acelerada e, segundo a interpretação da atual gestão do INSS, de forma irregular nos anos seguintes.
Ofício do Banco Master e nova norma
Em 7 de junho de 2022, o Master enviou um ofício ao INSS solicitando o aditamento do acordo de cooperação técnica para inclusão do cartão consignado de benefício, citando como base uma instrução normativa publicada em março. Uma nova instrução normativa, publicada em 23 de junho, 16 dias após o ofício do Master, detalhou como esse cartão deveria operar.
Assinatura do aditivo e investigações
O termo aditivo para inclusão do Credcesta no acordo de cooperação técnica com o INSS foi assinado em 13 de julho. O Master foi a primeira instituição financeira a utilizar o novo regramento. O Banco Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central, e seus ex-executivos são investigados pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes.
Fonte: UOL