O Banco Master efetuou pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os valores foram declarados pelo banco à Receita Federal nos anos de 2024 e 2025, referentes a impostos retidos na fonte sobre notas de prestação de serviços.


Inicialmente, o jornal Folha de S. Paulo reportou que o banco declarou 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. O g1 confirmou a informação.
Esses registros foram enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso após a comissão notar a ausência dos dados em uma remessa anterior de informações solicitadas ao Fisco.
Procurado, o escritório Barci de Moraes declarou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
Pagamentos detalhados
Em dezembro de 2025, o jornal “O Globo” divulgou que o Banco Master havia contratado o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por 36 meses, conforme documentos do celular do banqueiro.
Os dados da Receita Federal indicam que os pagamentos totalizaram R$ 80.223.653,84, ocorrendo de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, totalizando 22 meses com o valor fixo mensal.
Sobre esses pagamentos, o Master informou ter recolhido R$ 4.933.754,76 em impostos retidos na fonte.
Consultoria jurídica prestada
O escritório foi contratado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para realizar “ampla consultoria e atuação jurídica” ao Banco Master. Uma equipe de 15 advogados prestou o serviço, com 79 reuniões realizadas na sede da instituição financeira.
Para a execução dos serviços, o escritório também coordenou outros três escritórios especializados em consultoria.
CPI do Crime Organizado não será prorrogada
O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, informou que o presidente do Senado decidiu não prorrogar o prazo de funcionamento da comissão. A CPI, instalada em novembro, encerra suas atividades na próxima terça-feira (14).
Segundo Vieira, a decisão foi atribuída a possíveis problemas em ano eleitoral. O relatório final da comissão será apresentado no último dia, com base nas informações já obtidas.
Fonte: G1