A produção de cacau no estado de São Paulo, que atualmente conta com cerca de 650 hectares cultivados, enfrenta desafios que podem impactar seu avanço. A expectativa é que a área cultivada alcance 3 mil hectares em uma década.
Embora a incidência de doenças como a vassoura de bruxa, comum em outras regiões produtoras, seja baixa em São Paulo devido ao clima seco, outras ameaças emergem. Lagartas, insetos e ácaros representam riscos mais prováveis, e pesquisadores buscam formas de defesa contra esses ataques. Até o momento, os danos significativos foram evitados.
Desafios Financeiros e de Mercado
O principal obstáculo para os produtores paulistas, no entanto, é o acesso a financiamento e a volatilidade dos preços da commodity. Marcelo Gumiero, produtor em Valentim Gentil, destaca a dificuldade de crédito para agricultores de médio porte, que não se enquadram nas linhas de agricultura familiar nem nas de grandes produtores.
Gumiero também expressa preocupação com a queda acentuada no preço do cacau. Após atingir um pico de US$ 12 mil por tonelada, o valor recuou para cerca de US$ 3 mil. Ele alerta que o aumento da produção sem planejamento pode levar a uma nova desvalorização, com a entrada de produtores desavisados no mercado.
Ameaças da Indústria e Concorrência Global
A própria indústria de chocolates representa um desafio. A busca por redução de custos, impulsionada pela inflação e pela flutuação do preço da commodity, leva algumas empresas, inclusive na Europa e nos Estados Unidos, a substituir o cacau puro por misturas com óleos vegetais e açúcar, conhecidas como “sabor de chocolate”.
A crise climática em países africanos como Gana e Costa do Marfim, grandes produtores mundiais, afetou o fornecimento de cacau, elevando os preços. Apesar de o cacau brasileiro poder ser considerado mais sustentável, a indústria frequentemente opta por matérias-primas mais baratas, priorizando o custo final.
Fonte: Estadão