Brian McGowan, morador da Pensilvânia, gastou cerca de US$ 150 em energia no ano passado. Após instalar painéis solares adicionais no outono, ele espera que sua conta seja ainda menor este ano. Originalmente, ele gastaria mais de US$ 2.000 anuais em eletricidade, US$ 1.000 em gás e mais de US$ 2.000 em óleo de aquecimento.



McGowan, um técnico de engenharia, utiliza um veículo elétrico, evitando a compra de gasolina, cujos preços estão em alta. Ele também emprega uma bomba de calor mini-split para aquecer a casa na maior parte do tempo, dispensando o uso de óleo de aquecimento. O que começou com poucos painéis solares para alimentar equipamentos básicos e iluminação de emergência durante quedas de energia, evoluiu para um sistema completo com armazenamento de bateria e uma bomba de calor.
John Spezia, um professor aposentado do Colorado, instalou painéis solares há 13 anos e recentemente adicionou uma bomba de calor, desligando seu fornecimento de gás. Ele estima uma economia de cerca de US$ 400 a US$ 500 anuais, além de eliminar a taxa base mensal. Em certos períodos do ano, ele gera mais energia do que consome, enviando o excesso para a rede e recebendo créditos para os meses mais frios.
Resiliência contra apagões
McGowan opera dois sistemas: um independente da rede, utilizado durante longos períodos de interrupção do fornecimento central, e um conectado à rede com 30 painéis solares no telhado, também ligados a baterias. Ele relata que, durante a primeira queda de energia após a instalação do sistema, sua vizinhança ficou escura, enquanto sua casa permaneceu iluminada.
A área onde moram sofre cerca de três a quatro apagões por ano, alguns com duração de dias. Ele prevê um aumento desses eventos devido à crescente demanda de energia de centros de dados. A Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA) informou que, em 2024, os consumidores de eletricidade experimentaram uma média de 11 horas de interrupções, o dobro da média anual da década anterior.
Um estudo da Universidade de Stanford analisou como residências poderiam usar energia solar e armazenamento em bateria para resistir a apagões. Tao Sun, um dos autores, descobriu que 60% dos lares também se beneficiariam financeiramente, considerando créditos fiscais federais anteriores.
Economia com energia própria
Diversos fatores influenciam a economia e os rendimentos potenciais:
- A quantidade de energia gerada no local de instalação dos painéis e a capacidade instalada.
- O custo de instalação do sistema, incluindo mão de obra, licenças, painéis solares e baterias.
- O preço cobrado por quilowatt-hora pelo fornecedor e a remuneração pela energia enviada à rede.
A variação de custos e benefícios entre estados é significativa. Em esquemas de medição líquida (net metering), as concessionárias creditam a eletricidade devolvida à rede pelo mesmo valor da tarifa de varejo. Já a fatura líquida (net billing) credita a taxa de atacado. Em estados com fatura líquida, como a Califórnia, onde o crédito é cerca de 25% do preço de varejo, o armazenamento em bateria torna-se mais vantajoso para o consumo próprio.
O tempo de retorno do investimento varia de 2 a 5 anos em estados com fortes créditos de energia solar renovável, e de 7 a 11 anos em locais com mercados de eletricidade menos caros. Ben Delman, da Solar United Neighbors, destaca que o custo atual da eletricidade é um fator determinante para o retorno do investimento.
Cerca de 5 milhões de residências nos EUA possuem energia solar no telhado, aproximadamente uma em cada 30 lares. Johanna Neumann, do Environment America Research and Policy Center, observa um aumento dramático na adoção de energia solar em todos os estados, impulsionado tanto por benefícios ambientais quanto pela estabilidade energética proporcionada pelo controle da geração de energia.
Iniciando a energia solar em casa
Apesar de políticas anteriores que desestimularam incentivos fiscais residenciais, muitos estados ainda oferecem créditos fiscais para a instalação de energia solar. Financiamentos podem estar disponíveis em bancos locais, e aluguéis de sistemas também são uma opção. Em alguns estados, políticas de compensação por excesso de eletricidade injetada na rede foram reduzidas, levando proprietários a optar por sistemas com baterias para se desconectar da rede.
Recomenda-se a instalação de baterias no sistema. Além disso, otimizar a eficiência energética da casa, como a instalação de trocadores de calor para água de drenagem, reduz significativamente o consumo de energia para aquecimento de água. A instalação de uma bomba de calor também contribui para essa redução.
A orientação para proprietários interessados em produzir sua própria energia inclui realizar uma auditoria energética, vedar vazamentos e garantir que eletrodomésticos e aquecedores sejam elétricos. A consideração do benefício econômico e da resiliência durante apagões é fundamental. A pergunta a ser feita é: quanto você pagaria por um serviço de energia ininterrupta?



Fonte: Dw