A gigante italiana de energia ENI e o Egito anunciaram uma descoberta significativa de gás natural no Mediterrâneo Oriental. A descoberta oferece um potencial alívio para o Cairo e para a Europa, em um momento em que a guerra no Irã eleva os custos de importação de energia.



Estimativas preliminares indicam cerca de 2 trilhões de pés cúbicos de gás no campo Temsah, na costa egípcia do Mediterrâneo, conforme comunicado da ENI. A descoberta também inclui 130 milhões de barris de condensados de petróleo, segundo o Ministério do Petróleo do Egito, como parte de um esforço para aumentar a produção doméstica e reduzir a conta de importação do país.
A descoberta ocorre em um momento crucial. O fornecimento de gás natural do Egito do Catar e de Israel foi severamente interrompido desde a escalada da guerra no Irã. Isso forçou o Cairo a introduzir medidas de economia de energia, como toque de recolher comercial, aumento de preços de combustíveis e redução de gastos governamentais.
O primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly, informou no mês passado que o conflito quase triplicou a conta de importação de gás natural do Egito, de US$ 560 milhões para US$ 1,65 bilhão por mês.
A descoberta revive memórias do último grande avanço egípcio em exploração offshore. Em 2015, o campo Zohr, o maior do Mediterrâneo com cerca de 30 trilhões de pés cúbicos, gerou esperanças de que o Egito pudesse se tornar autossuficiente em energia e um grande exportador.
Essas ambições foram reduzidas. O Egito tem se posicionado como um centro regional de processamento e trânsito, utilizando seus terminais de liquefação para direcionar gás de países vizinhos, incluindo Chipre.
No mês passado, outra descoberta foi anunciada, desta vez em terra. O Egito e a Apache Corporation informaram sobre uma descoberta no Deserto Ocidental com expectativa de produzir 26 milhões de pés cúbicos por dia.
Se o achado de Temsah será suficiente para aliviar significativamente a crise energética do Egito dependerá da rapidez com que poderá ser trazido à produção e da duração da guerra.
Fonte: Euronews